FEMDOM E MALEDOM O que são e porque são coisas distintas

femdommaledomFEMDOM E MALEDOM

O que são e porque são coisas distintas

 

Surgimento do FEMDOM e do MALEDOM no BDSM

Embora possamos ter relatos de Mistress (FEMDOM) já no meado do século XIX, somente por volta no fim dos anos 1960 aparece realmente o termo FEMDOM.

Já os MALEDOM, existiam na cultura Leather homossexual já a algum tempo, provavelmente a partir de meado dos anos 1950.

MALEDOM é Dominação Masculina, e isto nasceu dentro do contexto homossexual no exercito americano no fim dos anos 1940 inserido no conceito de Disciplina (que se tornará posteriormente uma das letras da sigla BDSM). Este conceito unido ao Bondage evoluiu nos clubes Leather durante os anos 1950, se tornando uma identificação dentro da futura comunidade BDSM.

Nos anos de 1960 o conceito de MALEDOM deixou de ser exclusivo da comunidade Leather Homossexual para ser transferido a relações também hetero ou mistas.

No fim dos anos 1960 algumas Dominadoras engajadas socialmente e próximas da Comunidade Leather, pertencentes a primeira Comunidade BDSM, se identificaram dentro do contexto da Supremacia Feminina, criando o FEMDOM.

 

Aqui começam as grandes diferenças para duas nomenclaturas aparentemente similares.

Enquanto o MALEDOM pode ser exercido entre pessoas do mesmo gênero sexual ou de gênero sexual diferente, o FEMDOM somente pode existir entre uma Mistress e um bottom masculino.

Nos primórdios, não sendo estabelecido o conceito de relação D/s, mas somente o conceito de SM, o MALEDOM Disciplinava tantos homens como mulheres afirmando a própria capacidade de ser Dominante Masculino e a FEMDOM somente homens afirmando a Supremacia Feminina.

Os contextos ideológicos são então bem distintos e ligados a conceitos diferentes.

No contexto do MALEDOM é uma afirmação de Masculinidade que exercida dentro de uma relação (homossexual ou não) estabelece com clareza uma posição de dominância do masculino versus o feminino (independente da classificação e gênero).

No contexto do FEMDOM, em jogo está a afirmação de que a Mulher (neste âmbito) é superior ao homem, dominando-o e estabelecendo sua hierarquia e poder em contraposição a retorica machista.

A partir destes e outros conceitos, aqui trascurados pois não pertinentes a este texto, estabeleceu-se o conceito de Dominação e submissão (a D/s).

Neste momento (fim dos anos 1980 inicio dos anos 1990) a componente heterossexual entra em peso na Comunidade BDSM começando a estabelecer novas identidades, nasce então de modo mais formal o MALEDOM heterossexual.

Junto com esta entrada de novas pessoas também aumenta o recurso ao Role Play Game (Jogo de interpretação) no qual as partes envolvidas procuram estabelecer mais regras dos papeis interpretados no jogo, em particular entre Dominador masculino e submissa feminina.

De fato, este universo é o que hoje tem mais regras, condições necessárias para atuar no papel, conformismo social.

Ao longo dos últimos anos e no período do lançamento de 50 Tons de Cinza, muita mais atenção foi dada à cultura BDSM, especialmente na relação Dominador masculino / submissa feminina. O problema com tudo isso não é a luz mostrada sobre a cultura, mas que o livro infantiliza o protagonismo feminino, cria uma fantasia de abuso entre as donas de casa e zomba da cultura BDSM. A cultura do BDSM se concentra em um mundo de adultos que jogam em uma experiencia onde a base fundamental é o SSC, onde por meio do consentimento pleno praticam um comportamento sexual a-normativo, a fim de alcançar mutuamente gratificação sexual. Os livros e os filmes não têm esse centro e não fornecem esta imagem, deixando perceber de forma romantizada a exploração das fraquezas da parte submissa feminina.

Para os praticantes de BDSM, o mundo de hoje é tão livre quanto para qualquer comunidade minoritária. Com o advento das informações online por meio da internet, a cultura BDSM foi disseminada, se tornou menos fechada, mais disponível, mais flexível.

Muitas pessoas e muitos casais heterossexuais começaram a tentar experimentar fetiches ligados ao BDSM, uma grande parte de casais “normais=normatizados”, nos últimos anos praticaram alguma coisa, tentaram reavivar a própria relação sexual por meio de fetiches ligados de alguma forma ao BDSM.

Podemos afirmar que o BDSM atingiu, mesmo se de forma as vezes superficial, o nicho de casais tradicionais mais aventureiros e com tendências fetichistas.

Isto obviamente não significa que estas pessoas estejam vivendo o BDSM, pois o BDSM é uma Comunidade real, feita de pessoas reais que se encontram, e convivem dentro de uma mesma subcultura, sem preconceitos de escolha sexual ou de gênero.

A partir deste momento histórico, 2011, surgem novos MALEDOM, que são exclusivamente dedicados a relação D/s com submissas femininas. Até aqui tudo bem, escolha de cada um a respeito da própria sexualidade e desejos.

O que ocorre é que alguns (afortunadamente não todos) deste novos MALEDOM esqueceram ou ignoram a origem do BDSM, suas bases primordiais e o que faz de alguém membro de uma Comunidade de subcultura.

Algumas destas pessoas são homofóbicas, acham que a mulher (não somente as submissas) são seres inferiores, que os submissos masculinos são frouxos e desprezíveis, que as Dominadoras femininas são uma praga.

As atitudes destas pessoas variam da indiferença e desinteresse em conhecer mais, até a aberta manifestação de desgosto. Algumas vezes se erguem a profundos conhecedores da Comunidade pontificando regras que nunca foram aceitas pela própria Comunidade a qual eles também nunca pertenceram.

É sabido que homens inseguros são facilmente intimidados por mulheres fortes. Dominantes inseguros do sexo masculino agem com rejeição às Dominadoras: evasão, desrespeito e tentativas de empurrar a insegurança e o desconforto para os outros.

Isto porque talvez eles tenham seu próprio lado submisso, mas carecem da força interior para se libertar das expectativas da sociedade e admitir o próprio desejo. Por isto talvez eles menosprezem homens submissos, por possuírem a força que lhes falta. Eu conheci tanto no mundo real como no virtual um bom número desses homens, que são, na verdade, bastante comuns.

São atraídos pelo BDSM porque têm desejos e fantasias, mas são inseguros e fracos demais para se aceitarem, e as normas sociais determinam que eles devem ser Dominantes, porque são homens. Eles então se encaixam neste molde, continuando a cultivar sentimentos baunilha como ciúmes (que vem da insegurança), controle sobre a mulher (que se deixada livre poderia trai-lo), etc.

Estas pessoas que se intitulam de MALEDOM, mas seria mais apropriado eles se intitularem como MACHISTADOM, de fato são somente machistas. Eles existem desde sempre e praticam a submissão feminina, com diferentes graus de consentimento (ou abuso) da mulher desde sempre.

Estas pessoas, não pertencem a Comunidade BDSM. Não pertencem hoje, nem pertencerão amanhã, pois entre os principio de nossa Comunidade está o abandono dos estereótipos baunilha, dos preconceitos para com as praticas e sexualidade dos outros, da paridade absoluta entre homens e mulheres, e que sempre tudo aconteça dentro do combinado de forma consensual no âmbito do SSC.

O MALEDOM real (homossexual ou não), é livre de preconceitos, zela pelo bem-estar e pelo prazer da pessoa dominada. Sendo ele o condutor da relação, é de sua responsabilidade assegurar que o submisso(a) ou escravo(a) alcance a própria satisfação dentro da relação de forma livre e prazerosa. É dever dele, proteger o bottom tanto do ponto de vista físico, como emocional e psicológico. É dever dele incentivar e permitir o crescimento do bottom tanto na vida baunilha como no meio BDSM.

 

Já na vertente do FEMDOM também tivemos mudanças e divergências.

Em vários estudos sobre o comportamento sexual tanto na Europa como nos EUA, emerge claramente que uma boa parcela de mulheres prefere o homem submisso. Isto é visível até em comportamentos sociais não necessariamente ligados à sexualidade. É o famoso: “É ela quem manda em casa”. Várias pesquisas revelam que cerca de 30% dos homens se identificam de alguma forma como submissos à mulher, esposa, parceira.

Muitos deles, porém, pensam que submissão seja sinônimo de feminilidade e que feminilidade seja sinônimo de inferioridade, então que submissão seja igual a inferioridade, e ficam desconfortáveis e frustrados com a ideia de que um homem submisso possa ser mais forte do que eles, então escolhem mudar sua natureza para proteger o próprio ego e poder ver o submisso como um homem muito fraco.

Apesar destes pensamentos, frequentemente, este tipo de homens procura uma mulher forte que os domine, as vezes somente por algumas horas, antes de continuar a própria vida baunilha dominada pelos estereótipos.

É neste contexto que o FEMDOM atua, exercendo poder sobre o homem hetero, afirmando a supremacia feminina por meio da feminização forçada, humilhação, ballbusting, CBT, etc.

A ideologia do FEMDOM deriva diretamente das ideias utópicas (e ao meu ver discutíveis) de Andrea Dworkin, Monique Wittig e Mary Daly que no fim dos anos 1960 e meados de 1970 defendiam uma ideia de sociedade em que as mulheres governassem como seres superiores, pois “Se as mulheres liderarem o governo, há uma chance muito maior de que não haverá guerras, e que os problemas sociais serão resolvidos. Os homens pensam com seus pênis. Eles são facilmente manipulados.”

De acordo com Sue Storm, que trabalhou como dominatrix profissional por quarenta anos, a maior parte da defesa da supremacia feminina online é “uma fachada”. “É tudo para ganhar dinheiro”, disse. “De todas as mulheres que dizem ser supremacistas femininas, apenas dois a três por cento realmente o são. É óbvio que os homens ainda agem como animais por causa da testosterona.”.

“Toda a irmandade FEMDOM é um lixo. Nós não evoluímos o suficiente”, disse ela, observando que o aumento da dominação financeira, ou “FinDOM”, levou as dommes mais jovens a adotarem personagens falsos de supremacistas femininas, a fim de atrair submissos dispostos a esbanjá-las com presentes e dinheiro. “A maioria das mulheres que entram nesse negócio está fazendo isso por dinheiro rápido, então há muitas brigas internas. É raro ver duas mulheres que não estão brigando. Como esse comportamento pode ser supremo?”

No decorrer dos anos, as FEMDOM, mesmo continuando na ideologia da supremacia feminina, em sua grande maioria, participando da Comunidade BDSM aceitaram as diferenças, os Dominadores masculinos, as submissas.

O movimento FEMDOM, enfim rachou.

Uma vertente continuou no seu percurso supremacista puro, contra os homens, outra vertente se aproximou da Comunidade BDSM e começou a frequentar outros BDSMers com respeito.

A vertente supremacista pura não aceita as FEMDOM trans, não aceita os Dominadores homens e não respeita os bottom, sejam eles masculinos ou femininos (por motivos diferentes).

A componente FEMDOM radical, continua desrespeitando os homens em todas suas posições (TOP e Bottom), as submissas, e continua sendo transfobica.

A outra vertente, mantendo o conceito da supremacia feminina aceita o relacionamento de TOP para TOP com homens, respeita os bottom sejam eles homens, mulheres, trans e aceita também Dominadoras Trans entre as FEMDOM, reconhecendo então que a identidade de gênero não é genética.

Esta vertente ganhou mais relevância no FEMDOM a partir de 2013 pela ação de uma FEMDOM Trans, Domina Jen, que publicou o artigo “Por que não acredito mais na supremacia feminina”, no qual ela expressou serias duvidas reservas este movimento. Embora ela ainda acredite que “as mulheres são biológicas e fisicamente superiores aos homens”, ela escreveu, não se sente à vontade para fazer generalizações.

“Não quero respeito só porque sou mulher”, escreveu ela. “Isso parece falso e vazio. Quero ser respeitada por causa de minhas ações, por causa de quem eu sou. Existem inúmeras mulheres que são de vontade fraca, mente fraca, egoísta e cruel. Conheço muitas mulheres que não merecem nenhum tipo de respeito. E a ideia de que essas mulheres estão no comando de algo ou alguém é aterrorizante. ”

“Se eu acho que as mulheres precisam subir ao poder? 100 por cento. Eu acho que somos supremas acima de todos os outros? Absolutamente não.”

Esta nova vertente do FEMDOM também questiona a consensualidade no FEMDOM extremista: Como pode haver consensualidade se uma parte não respeita a outra?

A partir deste movimento novo, as FEMDOM foram mais aceitas na Comunidade BDSM e exercem seu papel de supremacia e dominância com respeito ao SSC e aos outros participantes da própria Comunidade.

Este são FEMDOM e MALEDOM…

Nada a ver com o imaginário que alguns fazem circular por aí na internet tupiniquim…

Eros, Thanatos e BDSM

hr_giger_necronom_VCodícia, desenfreada luxuria… o ser humano cheio de desejos, filho de Cupido…

De fato, a Codícia é uma corrupção da palavra latina “Cupiditia” que é apetite desordenado de riquezas, desejo veemente de coisas boas.

Coisas boas são obviamente pertencentes a todas as categorias… incluindo objetos, comida e, obviamente, sexo.

Os termos libido, avidez, ganância foram todos englobados no termo luxúria que evoca a divindade latina de Cupido e a palavra foi obtida do latim cùpidum (ansioso, desejoso sem limites), que tem como objetivo da própria vida a acumulação e o consumo cobiçoso de coisas induzida pelo mercado sem considerar o ambiente no qual ele vive.

Cupído é aquela pessoa que tem cobiça, desejo, desmesurada avareza, desenfreada sexualidade, luxúria, ganância, codícia. Esta palavra, Codícia, teve a mesma origem que Cupido? Do Deus Cupido como o conhecemos?

Originalmente, antes de ser um querubim alado, com uma bundinha rosada e redonda sempre à vista e com o pênis minúsculo pouco exposto, que com arco e flecha perfura os deuses e os homens … Cupido era um jovem deus adulto de beleza deslumbrantemente sexual, talvez o hermafrodita filho de Hermes e de Afrodite … era também um mensageiro alado que … com arco e flecha … acerta homens e mulheres com todos os desejos possíveis … não apenas sexo

Somente após muito tempo, com a cultura helenística do epicurismo, Cupido foi concebido como um querubim alado inocente que atinge o coração dos deuses e dos homens também através do sentimento. O “sentimento” de fato, podia se relacionar com todos os aspectos da vida e mesmo com todos os “desejos” também aqueles não relacionados ao” sexo “.

Por meio da a fusão de sexo e sentimento, Eros se tornou o Deus de todos os desejos … até aqueles inconscientes. Ele se tornou o Deus do desejo absoluto, e, portanto, o Deus do desejo sexual que, como o mais forte e mais irresistível, poderia representar todos os desejos, mesmo aqueles de origem material.

Eros e Cupido trouxeram os sentimentos para a Luxuria.

Mas o que é exatamente a Luxuria?

A palavra luxúria deriva do latim Luxus, que é exuberância de vegetação, desenfreados desejos sensuais (não necessariamente sexuais), aquisição de coisas supérfluas e uso desenfreado de coisas consideradas muito boas para impressionar os outros (na concepção moderna roupas, moradias, carros, etc.).

Sigmund Freud (1856 – 1939) em “O Mal-estar na Civilização” (1930) enfrenta o problema da Civilização, de como o processo de civilização ocidental tenha trazido severas consequências e necessidade de renunciar à satisfação do Desejo Sexual.

O pensamento de Freud, influenciado pela época em que viveu, junto a uma conceição errática da mulher, se revelou esquemático demais para poder ser considerado hoje com o mesmo entusiasmo dos anos seguintes a segunda guerra mundial.

No esquema de Freud o Sexo é Tudo.

Em “O Mal-estar na Civilização”, Freud propõe novamente a teoria das pulsões de Vita e Morte, que já havia introduzido no livro “Além do princípio do prazer” (1920), onde por Vida ele entende Eros como Sexo Genital, que impulsiona para a satisfação do Prazer, e entende Thanatos como a pulsão inconsciente da Morte Física que nos empurra para a Autodestruição.

Freud, no entanto, não compreende a real dimensão mitológica e filosófica do Eros-Cupido, a jovem adulta divindade de imensa beleza que golpeia os seres humanos com as flechas de Todos os Desejos, Sexuais-Materiais e Sensuais-Imateriais.

Mas sobre tudo, Freud não entende que Eros e Thanatos não podem existir entrelaçados de forma a delinear um interior Sado-Masoquista do ser humano, desenvolvendo ao mesmo tempo e na mesma pessoa aspectos Sádicos e Masoquistas a cada momento da vida.

Não é de fato possível ser Sádico e Masoquista ao mesmo tempo pois os tempos destas experiencias são separados. O mesmo fluir da vida e dos eventos separam estas experiencias, tanto no contexto Sexual-Material, como no contexto A-Sexual-Imaterial.

Então o ser humano pratica Sadismo ou Masoquismo, dependendo da situação e do momento em que se encontra. E todos praticamos antes ou depois os dois lados, de forma consciente ou inconsciente. O masoquista se regozija no prazer de ser objeto do desejo de outrem, mesmo que isto lhe cause sofrimento e deste sofrimento traz o próprio prazer.

O Sádico precisa de uma vítima. O outro, a vítima do Sadismo, não tem somente semblante humano, as vezes tem o semblante puro do nosso desejo, da Luxúria.

A tensão entre Eros-Cupido e Thanatos fornecem ao Sádico os instrumentos da desumanização da vítima, colocando nela capuzes, alterando as formas por meio de mascaras e fantasias, modificando o corpo, se bem momentaneamente, com as práticas. Estas modificações de semblante, sejam elas realizadas com capuzes e fantasias, ou por meio de hematomas, perfurações, restrições, têm o objetivo de desumanizar o Objeto de Desejo, que se torna diferente de um ser humano que encontramos no nosso dia a dia.

A vítima, o Masoquista, por sua vez, interpreta estas modificações, as humilhações, a dor, a restrição, como uma resposta as próprias pulsões de morte (Thanatos) e sente que volta a vida, renovado no prazer de ser objeto da Luxuria alheia, de ser Objeto de Desejo, de ser Artigo de Luxo e cobiça.

Esta desumanização, consciente e consentida permite gerenciar as pulsões de Eros-Cupido e de Thanatos, em um jogo que é o BDSM, um jogo sensual-imaterial e sexual-material.

O outro, a vítima, necessita, no entanto, de Moderação. Leopold von Sacher-Masoch (1836 – 1895) assinou com a Baronesa Fanny Pistor, um contrato que o tornava escravo dela pelo período de seis meses, e que contemplava as regras necessárias a uma convivência saudável dentro dos fetiches.

A ansiedade e a obsessão em satisfazer Todos os Desejos, típica do Sádico que representa o contexto mitológico e filosófico de Eros-Cupido, conduz a um sentimento de morte (Thanatos) das relações naturais, conduzindo a um Mercado de Todos os Desejos, onde uma Peça possa ser descartável ou quebrar. Podemos observar estas situações em duas obras de Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade (1740 – 1814): “Justine ou os infortúnios da virtude” 1791 e “A Filosofia na Alcova” 1795.

Precisamos pensar que nossas ações, ficam eternamente gravadas na nossa história, assim como na história dos outros, indeléveis.

Neste contexto, a Peça, o Masoquista precisa ser considerado com Moderação e com Empatia.

São estes dois princípios que separam o encontro de Desejos, de uma psicopatia. Não podemos, portanto, permitir que Thanatos se realize em morte espiritual do outro como resposta a Eros-Cupido.

No bem e no mal, nossas ações são imortais, moldadas na nossa liberdade individual e executadas na liberdade coletiva. A responsabilidade, no entanto, é somente nossa.

Asfixiofilia – texto para debate escrito em 2014

Primeiro quero ressaltar que não será aqui tratado o tema da asfixia autoerótica que é uma pratica para adeptos ao suicídio, vide caso da morte bizarra do ator David Carradine ou de Michael Hutchence, vocalista da banda australiana INXS, por auto-sufocamento masturbatório, o risco é desmaiar e, portanto, não conseguir afrouxar o aparato mecânico de sufocamento com consequente falecimento.

Gostaria de tratar aqui a pratica feita de forma cuidadosa e consensual de asfixiar onde é reduzida intencionalmente a emissão de oxigênio para o cérebro durante uma estimulação sexual com o intuito de aumentar o prazer do orgasmo.

Isto pode se dar tanto pela privação de ar pela respiração como pela oclusão das artérias que transportam o oxigênio ao cérebro.

A Asfixiofilia consiste em induzir no indivíduo um estado de hipóxia através da privação mecânica de oxigênio, causando êxtases quando o seu cérebro ultrapassa a região do umbral entre a consciência e o desfalecimento.

A pratica é conhecida faz muitos séculos, era praticada já na antiga Roma. Na Europa moderna, a ligação entre estrangulamento e sexo é conhecida pelo menos desde o século 17. Um caso famoso é o da japonesa Sada Abe, que em 1936 matou seu amante num jogo de estrangulamento sexual e que deu até inspiração para um filme.

A pratica é muito perigosa e precisa ser conduzida com muito cuidado, abri este debate para avaliar as práticas, métodos e principalmente os aspectos de segurança.

Lembre-se que praticando a Asfixiofilia estará colocando literalmente a sua vida nas mãos de alguém.

Colocarei aqui algumas referências para iniciar a entender o assunto.

Temos três tipos de Asfixia ou breath control play (jogo de controle da respiração) que são praticados, lembrando que o uso da Safeword é impossibilitado pela natureza intrínseca da pratica:

1) Leve: quando a Asfixia acontece de forma muito moderada até o sub começar a reclamar e/ou se debater ou até mostrar sinais de que vai se render;

2) Moderada: quando o Top asfixia o sub até este último mostrar que não vai mais resistir e neste ponto para;

3) Intensa: quando o sub chega a poder desmaiar / perder momentaneamente os sentidos.

O nível de asfixia dependerá do tempo de aplicação do sufocamento assim como das condições físicas do sub.

Regras de segurança fisiológicas:

1) Nunca feche o fluxo de sangue que segue diretamente para o cérebro por meio de oclusão das artérias jugulares. Esta pratica pode causar danos irreversíveis ou morte mesmo no nível de brincadeira, pois a falta direta de fluxo sanguinho ao cérebro gera fenômenos físicos espontâneos de aumento da pressão arterial, taquicardia paroxística, eventual fibrilação, enfarte, mesmo horas após o termino da pratica. Alguns praticam, mas é de longe a pratica mais arriscada que existe no BDSM podendo realmente conduzir à morte em muitos casos.

2) Nunca aperte com força a parte anterior da garganta e pescoço, pode causar danos à base da traqueia e/ou laringe. A laringe é muito mais delicada do que acreditamos, as lesões podem ser superficiais, com dores por vários dias até a ruptura com consequente sufocamento e morte se não for praticada imediatamente uma traqueotomia.

3) Nunca deixe de considerar como de extrema importância sinais como espasmos (tanto na região torácica e principalmente do diafragma), ânsia de vomito, olho vácuo, mudança de cor da pele (palor extremo ou aspecto cianótico). Estes sinais refletem condições fisiológicas extremas do sub que podem ocasionar sequelas, e ao aparecer a pratica deve ser imediatamente interrompida sem exceções.

Regras de segurança: objetos.

1) Nunca use objetos de espessura inadequada para praticar o estrangulamento do sub. É recomendado utilizar saco plástico (somente transparente), cinto, lençol, ou outros objetos com uma espessura mínima de 5 cm o que reduz o risco das lesões descritas supra, nunca use torniquetes.

2) Nunca use algo que não possa permitir a liberação imediata do sub e portanto a interrupção imediata do estrangulamento. Não use arames, não faça nós, não feche o cinto, não use saco plástico grosso, etc. Numa condição aparentemente normal pode parecer fácil desatar um nó, ou abrir um cinto em menos de um segundo, mas se por exemplo houver um inchaço, a coisa pode se tornar difícil com consequente condução para a morte do sub.

Regras de segurança: Tempo.
As chances de cinco segundos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são realmente, realmente, realmente baixas, mas não zero. (A morte por asfixia de breve período de tempo é provavelmente causada pelo efeito de Valsalva, em que aumenta a pressão intratorácica, diminui o retorno venoso ao coração e aumenta a pressão arterial.)

As probabilidades de 30 segundos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são muito, muito baixas, mas não zero. (A morte por asfixia de breve período de tempo é provavelmente causada pelo efeito de Valsalva.)

As chances de um minuto de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são realmente baixos, mas não zero. (A morte por asfixia de breve período de tempo é provavelmente causada pelo efeito de Valsalva.)

As probabilidades de 90 segundos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são baixos, mas não zero.

As probabilidades de dois minutos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca não são tão baixas assim. Entramos realmente na área de risco fisiológico geral.

As chances de mais de dois minutos de estrangulamento ou asfixia matar alguém são serias, temos sim a probabilidade de ter um grande problema em nossas mãos.

De três até cinco minutos de estrangulamento ou asfixia, com certeza estamos em sérios apuros com nosso sub tendo que ser reanimado, com grande risco de morte.

Em 10 minutos não há mais o que fazer, é caso de polícia por homicídio.

Há também um rol considerável de complicações secundárias documentadas devidas ao estrangulamento, incluindo, mas não se limitando, a fratura da laringe, paralisia de um ou de ambas as cordas vocais devido a contusão de um ou de ambos os nervos recorrentes, cegueira súbita, hemorragia cerebral, fratura do osso hioide no pescoço, fratura / deslocamento das vértebras cervicais e / ou danos na medula espinal, desalojando de uma placa aterosclerótica nas artérias carótidas que viajam até ao cérebro com consequente acidente vascular cerebral, e óbitos ocorridos até três dias após a aplicação do estrangulamento devido ao inchaço e formação e dissolução de um coágulo ou de pós-choque dos tecidos.

Sabemos que “pessoas mais velhas” enfrentam maiores chances de um desfecho fatal ao se envolver em asfixiofilia que “as pessoas mais jovens”. Sabemos que pessoas “doentes”, especialmente pessoas com doenças cardíacas, enfrentam maiores chances de um desfecho fatal do que “mais saudáveis”. Sabemos que outros fatores aumentam as chances de um desfecho fatal: o uso de álcool, drogas, antidepressivos tricíclicos, níveis elevados de adrenalina no sangue.

Pelo sub que se submete ao tratamento de hipóxia (falta de oxigênio), o primeiro sintoma é frequentemente euforia. Muitos falam que gostam do momento em que estão perdendo os sentidos. Habilitar alguém a estrangular ou sufocar com certeza requer um extraordinário grau de submissão e confiança no Dominador. A recompensa são orgasmos muito mais intensos do que o normal. Isto se deve também ao aspecto psicológico pelo qual o sub, ao perder o controle da própria respiração, entra em um estado emocional de entrega total, medo pela própria vida, sensação de submissão sem nenhuma barreira ou restrição.

Pessoalmente nunca ultrapassei a fase leve, sempre com extremo cuidado e com parceiras sub que conhecia muito bem, jovens e em boa saúde.

A pratica do breath control play é banida na maioria das comunidades BDSM do mundo devido aos seríssimos perigos relacionados.

Para maiores esclarecimentos recomendo a leitura do Jay Wiseman’s “Closing Argument” On Breath Play (infelizmente somente em inglês)

Qual o limite de segurança aceitável desta pratica então?

Brincadeira Quimica

BRINCADEIRA QUÍMICA NO BDSM

TRADUZIDO E ADAPTADO A PARTIR DE UM TEXTO DO PENGUIN PETE

Com o risco de decepcionar alguns leitores, devemos especificar que a “brincadeira química” não se refere a produtos químicos que são consumidos, fumados ou inalados. Em vez disso, se refere ao uso de substancias químicas para criar sensações na pele, para obter efeitos variados.

A brincadeira química pode parecer exótica, mas na verdade é um dos primeiros conceitos aos quais você é apresentado se comprar algo em qualquer loja de sex-shop. Qualquer sex-shop ocasional tanto na internet como em loja física oferece óleos perfumados para o corpo, lubrificação aromatizada e outras misturas destinadas a serem usadas na pele. Porém estas substancias não permitem uma atividade prazerosa para o BDSM e sobre tudo na relação entre parceiro dominante e submisso, pois falta criatividade e inventiva: tudo o que você precisa fazer é esfregar as pomadas ou cremes ou óleos na pele e observar o efeito.

Aqui, falaremos sobre o amplo mundo das substancias químicas e como brincar com elas com segurança.

A premissa obviamente é de que cada um seja maior de idade e saiba o que faz. De forma alguma estamos aconselhando fazer algo e, sobre tudo, desaconselhamos qualquer um fazer algo que não sabe ou de forma insegura.

Se quiser experimentar algo o estará fazendo por sua conta e risco!

SEGURANÇA PRIMEIRO!

Teste sempre uma substância química antes de usá-la em uma brincadeira BDSM. O ideal é aplicar um pouco no interior do próprio cotovelo para testar em si mesmo e depois no interior do cotovelo do parceiro.

Espere cerca de vinte minutos para experimentar e avaliar o efeito total. Em seguida, remova de acordo com as instruções – geralmente você lava uma substância à base de água com agua e limpa uma substância à base de óleo com outra gordura.

Cuidado: as pessoas são extremamente diferentes quando se trata de reações químicas. Uma pessoa mal consegue sentir o efeito, enquanto outra pessoa vai gritar e se agitar, ou até precisar de tratamento para aliviar os efeitos. A pele de uma pessoa pode não ter sensibilidade, enquanto outra pode explodir em bolhas ao contato com determinada substancia. Não há como prever isso antecipadamente, então teste com calma cada substância sempre, observe e avalie se é seguro usar.

Lembre-se de que não é muito fácil fazer funcionar uma Safe-Word em uma sessão ou cena que envolvam substancias químicas. A substancia química está impregnando a pele ou está até dentro da pessoa e continuará a agir, as vezes por muito tempo, por horas, até que tenha sido retirada ou lavada, ou absorvida pelo corpo, mesmo se o TOP interromper a ação imediatamente os efeitos não irão cessar. Uma substancia não pode atender o chamado de uma Safe-Word. Teste então primeiro muito bem qualquer substancia para que você não fique no chuveiro gritando e chorando por horas depois de uma experiência que pode se tornar traumática.

Siga as instruções de segurança na embalagem para qualquer substância comprada em loja. Em uma sessão BDSM, substâncias químicas são aplicadas aos seios, órgãos genitais externos, vagina e anus. Você quase nunca deve introduzir uma substância química estranha na vagina, em contato com a mucosa vaginal, pois isso irá perturbar o delicado equilíbrio do PH interno e da flora vaginal. No entanto, alguns produtos naturais podem ser usados com segurança. Você também nunca deve usar produtos ou substancias químicas em pele arranhada, já irritada ou com feridas abertas ou em cicatrização.

Cuidado com quaisquer interações medicamentosas. Se o parceiro estiver tomando medicação ou esteja submetido a tratamento para uma doença relacionada à pele.

A BRINCADEIRA QUÍMICA PODE NÃO SER PARA TODOS.

Algumas pessoas são muito sensíveis, têm alergias ou outros problemas físicos que complicam muito as coisas. Portanto, esteja preparado para deixar esse tipo de brincadeira fora da sessão se o seu parceiro simplesmente não puder lidar com isso. Pergunte a ele muito a respeito de eventuais problemas ou alergias antes de iniciar uma pratica deste tipo.

As formas de lavar várias substâncias químicas à base de óleo incluem: shampoo para bebês, leite, babosa ou azeite. Não use água para lavar uma substância à base de óleo, pois a água simplesmente espalhará a substancia gerando ainda mais desconforto.

MENTOL E LENIMENTOS

A forma mais comum de brincadeira química envolve a aplicação de um creme comprado em uma loja. Estes geralmente são vendidos como “cremes esportivos” para lesões atléticas ou mesmo cremes e óleos para brincadeiras sexuais e eróticas. Alguns destes cremes e unguentos destinam-se a aliviar dores musculares e dores de artrite, mas em grandes doses para áreas de pele sensíveis produzem uma sensação de forte queimação quente.

Os cremes esportivos e os eróticos podem conter qualquer substancia química como entre outras salicilado de metilo, resina benzoica, mentol ou capsaicina.

A maioria parte dos cremes esportivos tem um efeito tardio que se acumula gradualmente. Alguns começam uma sensação de frescor e depois passam a uma sensação de calor profundo. Esfregue o suficiente na pele, e sentirá como se estivesse em chamas. O efeito pretendido, na linguagem médica, é um “contra irritante”, com a ideia de que se você aplicar estes cremes em um lugar dolorido, a sensação de calor extra ultrapassa os nervos na área e dissipa a dor.

Os cremes esportivos ou eróticos são perfeitos para brincadeiras durante o bondage, uma vez que o submisso é restringido e a mercê do Dominante.

O Dominante adiciona creme ou outra substancia durante o tempo em que o submisso está no “tempo de espera” ou “esquecimento”, dando ao submisso algo a mais para sofrer enquanto espera sua libertação.

Depois de um spanking leve, os cremes esportivos ou eróticos ou outras substâncias químicas esfregadas nas nádegas tornam a sensação de ardor mais intensa, mas novamente, não faça isso depois de um spanking pesado com cane ou qualquer outro instrumento que causou um hematoma relevante ou uma abrasão da pele, a não ser que isto seja previamente combinado com consciência de ambas as partes dos riscos envolvidos.

CAPSAICINA E OUTRAS SUBSTANCIAS PICANTES

Assim como os cremes esportivos ou eróticos, alguns BDSMer usam canela, canfora e capsaicina como substâncias para brincadeira.

As mesmas regras gerais para o uso de cremes também se aplicam à canela, canfora e à capsaicina. Muitas lojas vendem óleo de canela, creme de capsaicina, óleo de hortelã e outras misturas. Em caso de dúvida, você deve tentar usar a substância feita para esse propósito já pronta para o uso e vendida em lojas, uma vez que pelo menos ela é feita com baixa concentração, uma potência controlável e vem com instruções de segurança.

A capsaicina (fonte Wiki) é um composto químico (8-metil-N-vanilil-trans-6-nonamida) e o componente ativo das pimentas conhecidas internacionalmente como pimentas chili, que são plantas que pertencem ao gênero Capsicum. É irritante para os mamíferos, incluindo os humanos, e produz uma sensação de queimadura em qualquer tecido que entre em contato. A capsaicina e diversos componentes correlatos são conhecidos como capsaicinoides e são produzidos como um metabólico secundário pelas pimentas chili, provavelmente como barreiras contra os herbívoros. A capsaicina pura é um composto hidrofóbico, incolor, inodoro, de cristalino a graxo.

Os mais aventureiros podem experimentar versões culinárias dessas substâncias.

Você só deve fazer isso se conhecer a diluição adequada antes de usá-las na pele.

Eu uso, mas somente recomendo usar para quem esteja consciente dos riscos envolvidos.

Muitos ficam surpresos ao descobrir que uma garrafa de óleo de pimenta (sobre tudo aqueles em conserva de salmoura e vinagre) ou extrato de hortelã pode mandar alguém parar no hospital – isso é porque o que se destina a ser usado na culinária não vai ter o mesmo resultado em partes de pele sensível ou mucosas.

E, por fim, temos as boas e velhas pimentas vermelhas. As pimentas naturais são classificadas na escala de Scoville, que mede a sensação de ardência dos mais leves com centenas de Scovilles até os sete mais ardidos. As pimentas mais leves são classificadas a partir de 0, os jalapenos variam de 3.500 a 10.000, os serranos (que inclui por exemplo a pimenta de cheiro) variam de 10.000 a 30.000, os habanero chilis entre 100.000 e 350.000, e a pimenta mais ardida do mundo até agora que é a Carolina Reaper, é avaliada em 2.2 milhões de Scovilles.

A capsaicina é o produto químico natural produzido pela maioria das pimentas que lhes dá a sensação de ardor.

Como com qualquer outra coisa neste artigo, teste-o primeiro na sua pele. Corte a pimenta no sentido longitudinal e aplique a superfície interna à pele. Tal como acontece com os cremes, o uso deve permanecer externo ao corpo e longe de qualquer membrana ou mucosa.

Sobre qualquer pimenta: é seguro introduzir no anus, uma vez que o ânus é uma parte do corpo construída para lidar com qualquer coisa que você possa comer sem problemas. Obvio que isto não significa que os efeitos não possam ser extremamente dolorosos. Apesar disto não deixarão consequências a longo prazo.

Lembre-se de que o ardor das pimentas é devido a óleos naturais, então siga as mesmas recomendações para óleos ao lavar resíduos de pimenta. Nunca use água para tentar remover ou diluir o efeito das pimentas, somente irá potencializar o efeito. Use alguma coisa oleosa ou gordurosa para diluir o efeito. Pode-se usar leite, manteiga, óleo de sementes o azeite. Contudo, se usou pimentas fortes, não espere que efeito passe tão rápido somente com a diluição, normalmente precisará de algumas horas para que a situação volte ao normal.

Alguns usam a pimenta em regiões onde há mucosas, ambos TOP e bottom precisam estar cientes do risco que está envolvido nesta pratica.

FIGGING

O Figging é a prática de usar um plug esculpido a partir de uma raiz de gengibre puro para inseri-lo no ânus ou na vagina. Ao contrário de outras formas de brincadeira química aqui descritas, o figging é muito mais suave e geralmente mais seguro, uma vez que as reações extremas ao gengibre são muito raras e ele não afeta as mucosas vaginais. De qualquer forma é bom perguntar a respeito de uma possível alergia especifica.

O gengibre pode ser encontrado em qualquer mercado ou sacolão, é bom comprar uma raiz bem grande, pois uma parte considerável vai ser perdida quando esculpido e também porque precisará criar uma base que terá a função de segurar o plug criado para que “não se perda” dentro do bottom (neste caso seria necessário remover por profissional de saúde). Para que o plug seja de fácil manipulação deixe uma base grande na parte inferior e tente deixar tudo o mais liso possível.

Para que o Figging dê certo terá que usar um gengibre bem fresco (ele é bem duro ao tato) os velhos (mole ao tato) não servem.

Há vários tipos de gengibre, o melhor é o que é usado para culinária japonesa e para fazer chá pois são os mais fortes. Alguns gengibres são tão suáveis que nem da para sentir o efeito.

Depois de inserir o plugue de gengibre, o bottom sentirá os efeitos após alguns minutos e a sensação aumentará até cerca de meia hora quando ele começar a nivelar. Depois disso, você pode até cortar um pouco do gengibre reduzindo o tamanho e expondo uma nova camada reativar o efeito e prolongar a diversão. O Figging é uma ótima maneira de animar qualquer disciplina de servidão ou tempo de canto ou esquecimento. Seu uso tradicional é no castigo corporal; insira-o bem fundo no submisso (lembre-se de ter uma boa base grande que empeça de entrar tudo) antes de dar-lhes uns golpes de palmatoria, de chicote ou de cane. Quando o submisso apertar naturalmente as nadegas pelos golpes isto irá fazer o gengibre liberar mais suco obtendo mais ardência interna que contrastará a ardência/dor externa. Um efeito interessante.

O Gengibre é um material maravilhosamente versátil, e ele ainda é vendido em forma de extrato. O “Gingerol” ou Extrato Glicólico de Gengibre, pode ser encontrado em garrafas e pode ser utilizado para “apimentar” objetos como vibradores e plugs de forma segura. Neste caso, é bom verificar a concentração da substancia e testar bem antes de usar em uma sessão ou cena.

OUTRAS SUBSTÂNCIAS URTICANTES E IRRITANTES

Aqui estamos nós adentrando em um território estranho, mas ocasionalmente você vai ouvir sobre alguns BDSMers que usam uma planta chamada “urtiga”. Urtiga é um género com 30 a 45 espécies de plantas com flor na família Urticaceae, com distribuição cosmopolita sobretudo nas regiões temperadas, vulgarmente chamadas urtigas ou ortigas. São geralmente plantas herbáceas perenes, mas algumas são anuais e algumas são arbustos. Nem todas as urtigas são urticantes, algumas espécies não possuem este efeito. As urtigas irritantes mais encontradas no Brasil são a urtiga europeia, a urtiga vermelha (que possui ramos avermelhados) e finalmente a urtiga roxa, a mais poderosa e que é encontrada facilmente na mata brasileira, na Serra da Cantareira de SP por exemplo. A planta, em contato com a pele, traz uma sensação de queimação disparando por meio de pelos minúsculos na superfície das folhas que injetaram histamina na pele. Isso gera uma sensação de muito desconforto, inchaço, bolhas avermelhadas. O efeito dura por bastante tempo, podendo se estender até por alguns dias. Então usar urtigas nas brincadeiras BDSM pode ser feito somente para quem realmente goste de algo mais forte e tenha plena consciência de que o efeito é duradouro causando muito sofrimento no bottom.

O efeito da urtiga pode ser aliviado usando remédios anti-histamínicos específicos ou outras substancias como por exemplo unguentos de hortelã forte.

Não recomendamos esta pratica, a não ser que realmente as partes estejam totalmente conscientes do efeito devastador da urtiga na pele humana. Há sim relatos de fustigações com urtiga e alguns BDSMers mais hard podem fazer isto, mas são práticas raramente vistas pessoalmente. Além disto é oportuno saber qual planta está se manuseando com certeza, e não colher qualquer coisa da natureza e usar, sem saber ao certo do que se trata. Imagine se por engano usar uma hera venenosa ou outras ervas que sejam realmente venenosas, o efeito pode ser catastrófico ou até mortal!

PASTA DE DENTES E OUTROS MENTOLADOS

A pasta de dentes, com certeza é muito fácil de encontrar em vários aromas. Temos tanto com menta e mentol, assim como com canela, por isto é lógico e normal que as pessoas tentem usar a pasta de dentes como um substituto dos cremes.

Mas não vamos recomendar o uso da pasta de dentes, porque os efeitos são normalmente muito fracos ou pode ser prejudicial à pele delicada com efeitos colaterais indesejados.

No lugar da pasta de dentes podem-se usar umas laminas de hortelã ou outros sabores que se encontram no mercado erótico para sexo oral (por exemplo as sexy paper) que tem um efeito bastante intenso se usadas na proximidade de mucosas ou de forma geral em lugares delicados. Aqui também, por ser produto comestível podem ser usadas no ânus sem menor problema (além obvio do eventual desconforto).

CONCLUSÃO

A brincadeira usando substancias químicas é uma forma de BDSM, onde a pesquisa e experimentação realmente valem a pena. Você deve saber o máximo possível sobre o que está fazendo, e talvez até encontrar um profissional médico, mesmo que seja um tanto difícil encontrar um no meio, para pode tirar duvidas ou mesmo ser atendido em caso algo dê errado. No entanto, uma vez que você chegue a dominar a brincadeira química e suas nuances, ela se torna uma ferramenta acessível, poderosa e versátil em suas mãos, não ocupa espaço e pode ser levada a qualquer lugar e vai apimentar bem suas sessões e cenas, literalmente!

Do lado do TOP: a sub chantagista e vigarista

Este texto foi estimulado por um comentário por parte de um TOP sobre uma bottom que ameaçou usar a Lei Maria da Penha, portanto achei útil compartilhar algumas ideias.

Pouco se fala dos problemas enfrentados por TOP iniciantes ou que tem compromisso baunilha e de qualquer forma, com pouca experiencia.

Claro que estes, cheios de vergonha, nunca irão expor os problemas deles em público, mas talvez enfrentar este assunto, tabu em muitos âmbitos, possa ser útil para alguns.

Neste caso é o TOP quem é atropelado fora da faixa.

Como já falei em outro texto, não é incomum um bottom ao termino de uma relação D/s acusar o TOP de abusos, somente para descarregar a própria frustração. Não é incomum o bottom agir também de forma manipuladora e chantagista, e, uma vez que o TOP não aceite este joguinho, o bottom criar falsidades para denegrir o TOP.

Até aqui, tudo bem, normal, acontece.

Mas há uma categoria de bottom que usam o BDSM para fins que são pouco bacanas, com premeditação e com o objetivo de tirar proveito de uma situação. São os bottom chantagistas/vigaristas.

Este tipo de pessoas, são normalmente masoquistas, que aguentam boas pancadas, hematomas extensos, as vezes até na cara, e que caçam TOP sem experiencia (que as vezes se dizem experientes), desavisados e ingênuos, com o fim de trazer proveito financeiro. Estabelecem uma D/s a jato, mas cuidam de ter muitos detalhes da vida do TOP “para a segurança deles”, fingem um namoro romântico e bonito na internet, e talvez por umas duas semanas de vida real, com encontros a luz de vela, poesias e promessas de amor. Procuram TOP que tenha uma boa vida financeira e estável, se for casado e a mulher nem desconfiar de nada, é melhor ainda para elas. O TOP ingênuo se abre… no Skype, no Facebook, e também em encontros pessoais, na negociação a jato, fala da sua vida pessoal, dos amigos e trabalho, da família.

Enfim começam as sessões românticas, regadas a frases bonitas e amor, com a sub pedindo spanking intenso, pois amor é amor, mas as pancadas são que a excita… e o TOP tentando fazer o seu melhor, para não decepcionar… bate com força…

Sempre falamos no meio que, se não há prova, não há crime. É muito fácil sair por aí falando e falando, mas sem provas…

E quando há provas?

Quando há um registro de motel que comprova quem esteve lá, fotos (sim, aquela frase… faça fotos com o meu celular que depois te mando) e uma ameaça de B.O. pela Lei Maria da Penha? Quando o bottom conseguiu detalhes sobre sua vida e pode enviar as fotos para o seu trabalho, para a escola de seus filhos, para sua esposa, junto a um B.O.?

Aí entra a chantagem do bottom vigarista… normalmente pedido de dinheiro, e muito, para não expor o TOP na vida baunilha dele, e o TOP normalmente paga, saindo desta situação com grande frustração e com a cauda entre as pernas, frequentemente depois abandonando o BDSM para sempre. Se for um mínimo esperto, pede prova de que pagou e que não há motivo para B.O. pois a relação era consensual.

Neste caso, o TOP foi mais um que cruza a rua fora da faixa de pedestre, sem olhar dos dois lados, sem prestar atenção se vem um carro ou caminhão e em caso de o cruzamento ter um farol, não olha para ele.

Quando falamos para conhecer bem as pessoas antes de se aventurar, normalmente falamos aos bottom, pois são em maioria mais frágeis, mas o mesmo cuidado vale para os TOP.

Alguns destes TOP acham que porque se declaram Dominantes e leram algumas coisas na internet o são, ledo engano. Ser Dominante não é se mostrar fodão e tentar dominar a sub de alma com textos bonitos… significa saber reconhecer os bottom, saber entender o que realmente são e quais são os anseios reais deles… constituindo uma relação de poder.

Isto não se alcança em pouco tempo, nem com pouca experiencia. É um percurso que precisa ser trilhado para entender como funciona o meio, pois assim como na vida baunilha, aqui também temos pessoas boas e ruins e, sendo maior de idade, cabe a você saber distinguir quem é quem.

Então se um dia for vítima de chantagem se pergunte: não será cruzei a rua sem olhar, sem prestar atenção e fui simplesmente atropelado pelo meu descuido?

Sr Jack Napier

Irmãs de coleira, outras sub, play partner, ciúmes e dominação por baixo

Este assunto, sempre um tanto polemico precisa de alguns esclarecimentos de base.
O primeiro deles é que para que se tenha uma irmã de coleira, será necessário que a relação D/s seja 24/7 e que a irmã de coleira entre a fazer parte da vida cotidiana na relação D/s também como 24/7.
Isto é muito mais raro do que se lê por aí, uma vez que pressupõe vivencia continuada entre as sub, que moram juntas na Senzala ou, de qualquer forma, interagem na vida uma da outra, também nos aspectos baunilha, e com o Dono delas, de forma diária.
Neste sentido, a “irmã de coleira” é realmente a pessoas com a qual compartilhar desejos, emoções, submissão ao Dono de forma plena e perfeita.
Não é uma relação para qualquer uma. Pressupõe um grau de entrega total ao Dono, que raramente é visto, onde as sub se ajudam com carinho e irmandade para melhor servi-lo.
Muito difícil para quem não tem vivencia real do mundo BDSM, entender este tipo de relacionamento mesmo na sua concepção mais geral…
A irmã de coleira será escolhida pelo Dono, por suas características de compatibilidade com a(s) outra(s) sub da sua Senzala. A Ele cabe saber escolher a pessoa que melhor poderá se integrar na Senzala sem causar algum tipo de perturbação da harmonia, que é a base de um reinado saudável e sustentável.
Na relação de irmãs de coleira, todas as sub têm mesmo papel e mesma importância, contribuindo como pares e iguais à relação BDSM, que é coletiva.
Estas relações são chamadas “familiares” pois se cria, praticamente, uma “família” não convencional.
Não vou entrar em muitos detalhes disto, pois, a grande maioria das relações D/s, nem de longe se assemelham ao ter uma irmã de coleira…
Muitos TOP não querem viabilizar este tipo de relação por questões afetivas de relacionamento com a sub 24/7, ou por outras várias razões, todas absolutamente respeitáveis, que envolvem tanto a relação BDSM como a relação baunilha (que frequentemente surge em uma relação 24/7).
Por estas razões, e também pela dificuldade de se encontrar pessoas realmente preparadas em ser irmãs de coleira, o que se vê mais frequentemente é o TOP ter uma sub alpha, primária, responsável pela Senzala, e outras bottom que são gerenciadas pela alpha.
Neste caso já não podemos falar de irmãs de coleira, pois faltam alguns requisitos fundamentais: a vivencia cotidiana, o compartilhamento igualitário na serventia ao Dono, a intimidade total entre as sub.
Normalmente a sub alpha é a mais antiga e, eventualmente, a que tem relação 24/7 com o Dono. As outras sempre estarão em segundo plano, a não ser que o DONO tenha duas alpha irmãs de coleira, ou que a alpha seja dispensada e o Dono escolha uma nova alpha. Este é o maior medo das sub alpha, que entre uma nova sub que possa ocupar o lugar delas. Esta insegurança, muitas vezes, é a que conduz a alpha a ser dispensada, por não saber administrar a confiança que o Dono depositou nela, por exemplo diminuindo outras sub, maltratando elas, ministrando punições indevidas ou excessivas.
Sempre há uma complicação afetiva na entrada de uma nova sub na Senzala para a sub alpha, a qual deverá saber lidar de forma oportuna com a situação, tendo sempre em mente o proposito essencial dela: servir ao Dono.
Não que isto seja sempre fácil, e ela poderá alertar ao Dono sobre algo que não lhe agrade, de qualquer forma ela tem a relação afetiva e mais antiga, mas quem toma as decisões é o Dono, que poderá ou não considerar o eventual desconforto dela, dependendo da situação e de sua sensibilidade.
Esta também, de qualquer forma, é uma situação relativamente rara, pois requer grande experiência por parte do TOP em administrar a sua Senzala e uma grande capacidade de entrega por parte da sub alpha.
Este tipo de relação D/s, também prevê uma 24/7, ao menos com a alpha, morando junto ou de qualquer forma na convivência diária da alpha, e eventualmente de mais sub, com o Dono.
Mas vamos ao que ERRONEAMENTE lemos todos os dias… irmãs de coleira que na verdade são play-partner ou procura de substituição de sub, ou ainda, simplesmente outros “casos” do TOP.
É exatamente nestes casos que lemos comentário de sub: “nunca aceitaria uma irmã de coleira”.
Nenhum TOP que tenha uma Senzala REAL iria propor irmã de coleira a uma destas sub. Primeiro porque Ele escolhe as sub com base na compatibilidade com as outras da Senzala e secundariamente porque estas sub, evidentemente, não tem as caraterísticas para poder ser irmãs de coleira, nem participar de uma Senzala que tenha uma sub alpha.
Portanto nenhuma delas, nunca, receberá este convite ou vivenciará esta situação, nem de longe, pois não pertence ao mundo delas.
Nenhum TOP com Senzala REAL poderá se interessar por elas, simples assim. Elas não despertam interesse pois não estão aptas nem para começar uma negociação.
Quando uma suposta sub fala que vai colocar este assunto na negociação da D/s, simplesmente demonstra que não sabe o que a relação vertical BDSM e qualquer TOP experiente, já abre mão da negociação seguindo cada um o próprio caminho.
Este tipo de comportamento “bottom-up Power Exchange” ou dominação por baixo, no qual a aspirante posse quer possuir o dono, marcar território e reduzir a liberdade dele, simplesmente não faz parte do BDSM e não é aceita por nenhum TOP.
Se o TOP quiser ou não ter outras sub, é decisão e problema dele, e a sub, nunca pode se quer torcer o nariz sobre isto, pois ela é posse e não manda em nada, isto em uma relação D/s BDSM. Se a relação for somente fetichista e não for BDSM, aí é outra história pois os parâmetros são outros e eu os desconheço.
Ouvimos frases do tipo: Este Dono tem dona… A sub quem manda lá em casa… ou… Ela está tentando roubar Meu Dono… Não aceito irmã de coleira… Ela não vai tomar meu lugar… Eu sou melhor do que ela e vou demonstrar… Ele é Meu… Tudo isso é absolutamente normal, é perfeitamente compreensível sentir ciúmes e defender o que lhe “PERTENCE”. Isto é uma relação BAUNILHA e NÃO é uma relação BDSM.
Na relação BDSM a posse pertence ao Dono de forma vertical. O Dono não pertence a posse.
Se não há esta verticalidade, simplesmente não há relação BDSM, ou há uma relação na qual a sub na realidade é Domme e o top se torna bottom dela, pois é ela quem manda na relação.
Já falei para algumas amigas, mudar de lado do chicote, pois estão do lado errado, querendo possuir um TOP… muito mais fácil e proveitoso se assumir como Domme e ter seu próprio sub.
Se quiser estar como sub em uma relação D/s, trazendo para ela conceitos baunilha, saiba que esta relação está fadada ao fracasso, ou simplesmente irá estabelecer uma relação fetichista com víeis de fantasias do BDSM, mas nunca, uma relação BDSM.
O BDSM é uma troca de poder, antes de qualquer outra coisa, e, o que é negociado, são os limites desta troca, não sua natureza.
Não se pode ser cristão sem acreditar em cristo, não se poder ser mesmo corintiano ser torcer para o Corintians, não se pode ser ateu acreditando em Deus…
Não se pode ser sub, sem ser posse.
Mas vamos lá… do outro lado… o suposto dom safadinho…
O dom safadinho, na realidade não estabelece nenhuma relação real D/s. É uma relação construída sobre promessas (nenhum TOP faz promessas, ele age) e poesias, com víeis românticos (nenhum TOP usa do romantismo) e sexo apimentado (nenhum TOP coloca o sexo em primeiro lugar, pois isto é consequência natural e não objetivo).
Este tipo de suposto top, deixará as coisas meio confusas, dando corda na negociação em debater questões de posse, desviando da negociação real e dos limites reais, ele afirmará que é seu, mas parcialmente. Enquanto na verdade o TOP nunca é, e nunca será seu… você é dele, ponto. Não há nenhuma negociação nisto.
Estes supostos top poderão eventualmente ter outras sub a escondida, ou tentar fazer com que uma não saiba da outra, usando desculpas pelas ausências, mas não saberão enfrentar uma relação BDSM, logo nem são realmente TOP.
Ou tentarão fazer a suposta sub aceitar outra sub, por exemplo como play-partner e talvez até fazer sessões conjuntas, arcando depois com ciúme e provável fim da relação, ou pelo menos, muito estresse desnecessário.
O que acontece normalmente é que antes ou depois este tipo de jogo acaba, porque a base está errada. Não se constrói sobre a areia, pois a construção antes o depois desaba.
O BDSM tem algumas poucas regras rígidas que são a base absoluta. O conceito de posse, verdade, honra e relação vertical são algumas delas.
Ninguém precisa ser BDSMer, ninguém manda ser isto… uma pessoa pode ser fetichista, ter uma relação baunilha, usar de alguns fetiches que são do mundo BDSM e ser feliz!
Porque viver uma coisa que não lhe agrada? Ou tentar se encaixar em algo que lhe deixa frustrada e não oferece prazer? O BDSM é busca pelo prazer. A não ser que você seja muito masoquista…
Não existe uma regra para a satisfação dos nossos desejos, cada um escolhe por si mesmo, mas ao mesmo tempo não existe um BDSM DIY (faça você mesmo), nosso âmbito tem bases, regras e protocolos, como qualquer outro âmbito.
Esclarecido este aspecto, podemos falar dos play-partner e da relação D/s de forma séria.
Cabe o TOP decidir se ele deseja ou não ter uma ou mais sub e administrar elas.
O que se fala no meio é que um TOP pode ter tantas posses, quantas ele consegue lidar e dar conta, sem prejudicar as outras.
As vezes a relação 24/7 com aspectos de amor e envolvimento também na vida baunilha, pode conduzir o TOP a não ter outras posses, mas a decisão é exclusiva dele.
Ou se Ele estiver em uma relação complexa (tipo 24/7, com filhos, muitos compromissos de trabalho, pouco tempo disponível, etc.) poderá dispensar ter outras sub, por vontade e decisão própria, pois não teria como administrar isto sem prejudicar uma ou mais delas.
O TOP pode também optar por ter play-partner para sessões avulsas, o que não comporta nenhuma D/s com elas, pois o que se estabelece é somente uma EPE (Erotic Power Exchange – Troca de Poder Erótica) limitada a sessão.
Na realidade esta é a forma mais simples e confortável, sobre tudo para quem dispõe de pouco tempo, de disfrutar das relações de poder, sem ter que constituir D/s ou ter negociações complexas, somente estabelecendo limites apropriados à sessão.
De qualquer forma a decisão de ter ou não mais sub, a forma em que Ele quer tê-las e como irá gerencia-las é do TOP, e somente dele.
O seu direito como sub, é eventualmente entregar a coleira, coisa que pode fazer a qualquer hora e sem ter sequer que explicar o motivo. Este é seu direito fundamental. O TOP nem tem o direito de questionar as razões da devolução da coleira, e deverá simplesmente respeitar sua decisão, sem ulteriores interferências na sua vida.
Se você não aceita ser posse, se não aceita a troca de poder vertical, não seja uma sub… viva outras relações que não são BDSM, seja feliz fora da troca de poder, ou seja você mesma uma play-partner, ninguém vai possuir você e você não vai possuir ninguém…
Sr. Jack Napier

Do lado do TOP Sádico: a armadilha do bottom psicótico masoquista

Segundo o Sistema Único de Saúde sádicos e masoquistas tem um transtorno psicológico

F60-F69 Transtornos da personalidade e do comportamento do adulto

F65.5 Sadomasoquismo

Preferência por uma atividade sexual que implica dor, humilhação ou subserviência. Se o sujeito prefere ser o objeto de um tal estímulo fala-se de masoquismo; se prefere ser o executante, trata-se de sadismo. Comumente o indivíduo obtém a excitação sexual por comportamento tanto sádicos quanto masoquistas.

Obviamente quem é do meio repudia esta definição, sabendo muito bem qual é o limiar e a distinção entre parafília e perversão psicótica.

Em alguns casos, porém, temos no meio pessoas que ultrapassam o limiar da parafília e que são perversos psicóticos com consequências frequentemente desastrosas para as outras pessoas.

A conduta masoquista baunilha é representada pelo modo de o indivíduo relacionar-se com o mundo. Essa maneira de reagir é inteiramente inconsciente, em oposição à atitude consciente da busca sexual de prazer masoquista. A pessoa “só está bem quando está sofrendo”. Procura constantemente as situações mais desconfortáveis, desagradáveis, que conduzam diretamente à dor. São pessoas que tem pouco o nenhum apego à vida, não tem medo do perigo e, muitas vezes, carregam tentativas de suicídio em seu histórico.

Alguns destes masoquistas entram de forma natural no nosso meio, não são consequência dos 50 tons de cinza ou da internet, todo TOP experiente já vivenciou antes ou depois alguma experiencia com masocas patológicos. Este último é perseguido pela fantasia de uma punição rigorosa, cada vez mais intensa do que a vivida na cena anterior. Estes masocas, dificilmente têm um TOP fixo, pois não encontram com facilidade outra pessoa que consiga satisfazer o apetite extremo que eles têm pelo medo e pela dor. O interesse deste tipo de bottom pelo TOP se perde com facilidade uma vez que ele conhece mais o TOP e pode prever algumas situações, perdendo o tesão pelo medo autentico e por punições além dos limites. A familiaridade da situação altera a percepção de medo e da submissão, causando então desinteresse. É frequente que estes masocas, sumam da vida de um TOP de um dia para o outro, sem nenhuma explicação…

Este argumento é praticamente tabu no meio… ninguém fala dos perrengues que estes masocas podem causar em TOPs menos experientes.

Irei aqui apenas me aprofundar sobre as masocas mulheres, pois não conheço suficientemente o universo dos masocas homens.

Sem dúvida estas masocas têm um ego enorme e literalmente caçam quem pode lhe proporcionar satisfação no conceito de pulsão de morte. Vivem um constante sentimento de culpa ligado a atividade sexual e são extremamente expertas. Algumas se fingem de brat e atuam com o lema “me dobra ou me quebra”, mas na realidade querem apenas ser quebradas.

TOPs experientes, normalmente, dispensam este tipo bottoms antes mesmo de iniciar as sessões ou depois de uma ou duas sessões, uma vez que percebam o perigo relacionado.

Mas qual é este perigo?

O TOP Sadico sente prazer em infligir dor e punição, dentro de algumas regras e limites estabelecidos pela parafília que segue. Nunca irá machucar seriamente alguém, nunca irá perder o controle e ultrapassar os limites da parafília para entrar na perversão sádica dos torturadores dos campos de extermínio nazistas, e matar ou aleijar o bottom, por exemplo.

O bottom psicótico masoca, tenta fazer com que o TOP Sádico, ultrapasse estes limites, frequentemente provocando o TOP com o fim deste perder o controle.

Quando punido com chicote ou cane, irá falar para o TOP que bate igual mulherzinha, que é fraco, que nem sabe como dar uma surra, que é topzinho de internet… e assim por diante, tentando causar raiva no TOP e consequente perda de controle…

Ali mora o perigo, pois o TOP Sádico ao perder o controle e se exceder pode causar estragos físicos impressionantes, que é o objetivo do bottom psicótico masoquista, o qual irá pedir mais, até o limite de fraturas ósseas e traumas internos. Obviamente isto pode ter consequências desastrosas por ambos os envolvidos, com consequente hospitalização, BO e aplicação da Lei Maria da Penha. Se a cena for muito mal e acabar em óbito, as consequências são ainda mais desastrosas.

Por esta razão, muitos TOPs “fogem” deste tipo de masocas, ou identificando a atitude, não vão perder o controle e, portanto, saem da cena humilhando e frustrando o bottom psicótico, sem nenhuma consequência além de que este irá desaparecer, a procura de outro TOP.

Mas TOPs com menos experiencia, novatos e sádicos, podem cair na armadilha do bottom psicótico masoca e depois se arrepender muito do que aconteceu… fica aqui o aviso para prestar atenção…

Sr. Jack Napier