Asfixiofilia – texto para debate escrito em 2014

Primeiro quero ressaltar que não será aqui tratado o tema da asfixia autoerótica que é uma pratica para adeptos ao suicídio, vide caso da morte bizarra do ator David Carradine ou de Michael Hutchence, vocalista da banda australiana INXS, por auto-sufocamento masturbatório, o risco é desmaiar e, portanto, não conseguir afrouxar o aparato mecânico de sufocamento com consequente falecimento.

Gostaria de tratar aqui a pratica feita de forma cuidadosa e consensual de asfixiar onde é reduzida intencionalmente a emissão de oxigênio para o cérebro durante uma estimulação sexual com o intuito de aumentar o prazer do orgasmo.

Isto pode se dar tanto pela privação de ar pela respiração como pela oclusão das artérias que transportam o oxigênio ao cérebro.

A Asfixiofilia consiste em induzir no indivíduo um estado de hipóxia através da privação mecânica de oxigênio, causando êxtases quando o seu cérebro ultrapassa a região do umbral entre a consciência e o desfalecimento.

A pratica é conhecida faz muitos séculos, era praticada já na antiga Roma. Na Europa moderna, a ligação entre estrangulamento e sexo é conhecida pelo menos desde o século 17. Um caso famoso é o da japonesa Sada Abe, que em 1936 matou seu amante num jogo de estrangulamento sexual e que deu até inspiração para um filme.

A pratica é muito perigosa e precisa ser conduzida com muito cuidado, abri este debate para avaliar as práticas, métodos e principalmente os aspectos de segurança.

Lembre-se que praticando a Asfixiofilia estará colocando literalmente a sua vida nas mãos de alguém.

Colocarei aqui algumas referências para iniciar a entender o assunto.

Temos três tipos de Asfixia ou breath control play (jogo de controle da respiração) que são praticados, lembrando que o uso da Safeword é impossibilitado pela natureza intrínseca da pratica:

1) Leve: quando a Asfixia acontece de forma muito moderada até o sub começar a reclamar e/ou se debater ou até mostrar sinais de que vai se render;

2) Moderada: quando o Top asfixia o sub até este último mostrar que não vai mais resistir e neste ponto para;

3) Intensa: quando o sub chega a poder desmaiar / perder momentaneamente os sentidos.

O nível de asfixia dependerá do tempo de aplicação do sufocamento assim como das condições físicas do sub.

Regras de segurança fisiológicas:

1) Nunca feche o fluxo de sangue que segue diretamente para o cérebro por meio de oclusão das artérias jugulares. Esta pratica pode causar danos irreversíveis ou morte mesmo no nível de brincadeira, pois a falta direta de fluxo sanguinho ao cérebro gera fenômenos físicos espontâneos de aumento da pressão arterial, taquicardia paroxística, eventual fibrilação, enfarte, mesmo horas após o termino da pratica. Alguns praticam, mas é de longe a pratica mais arriscada que existe no BDSM podendo realmente conduzir à morte em muitos casos.

2) Nunca aperte com força a parte anterior da garganta e pescoço, pode causar danos à base da traqueia e/ou laringe. A laringe é muito mais delicada do que acreditamos, as lesões podem ser superficiais, com dores por vários dias até a ruptura com consequente sufocamento e morte se não for praticada imediatamente uma traqueotomia.

3) Nunca deixe de considerar como de extrema importância sinais como espasmos (tanto na região torácica e principalmente do diafragma), ânsia de vomito, olho vácuo, mudança de cor da pele (palor extremo ou aspecto cianótico). Estes sinais refletem condições fisiológicas extremas do sub que podem ocasionar sequelas, e ao aparecer a pratica deve ser imediatamente interrompida sem exceções.

Regras de segurança: objetos.

1) Nunca use objetos de espessura inadequada para praticar o estrangulamento do sub. É recomendado utilizar saco plástico (somente transparente), cinto, lençol, ou outros objetos com uma espessura mínima de 5 cm o que reduz o risco das lesões descritas supra, nunca use torniquetes.

2) Nunca use algo que não possa permitir a liberação imediata do sub e portanto a interrupção imediata do estrangulamento. Não use arames, não faça nós, não feche o cinto, não use saco plástico grosso, etc. Numa condição aparentemente normal pode parecer fácil desatar um nó, ou abrir um cinto em menos de um segundo, mas se por exemplo houver um inchaço, a coisa pode se tornar difícil com consequente condução para a morte do sub.

Regras de segurança: Tempo.
As chances de cinco segundos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são realmente, realmente, realmente baixas, mas não zero. (A morte por asfixia de breve período de tempo é provavelmente causada pelo efeito de Valsalva, em que aumenta a pressão intratorácica, diminui o retorno venoso ao coração e aumenta a pressão arterial.)

As probabilidades de 30 segundos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são muito, muito baixas, mas não zero. (A morte por asfixia de breve período de tempo é provavelmente causada pelo efeito de Valsalva.)

As chances de um minuto de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são realmente baixos, mas não zero. (A morte por asfixia de breve período de tempo é provavelmente causada pelo efeito de Valsalva.)

As probabilidades de 90 segundos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são baixos, mas não zero.

As probabilidades de dois minutos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca não são tão baixas assim. Entramos realmente na área de risco fisiológico geral.

As chances de mais de dois minutos de estrangulamento ou asfixia matar alguém são serias, temos sim a probabilidade de ter um grande problema em nossas mãos.

De três até cinco minutos de estrangulamento ou asfixia, com certeza estamos em sérios apuros com nosso sub tendo que ser reanimado, com grande risco de morte.

Em 10 minutos não há mais o que fazer, é caso de polícia por homicídio.

Há também um rol considerável de complicações secundárias documentadas devidas ao estrangulamento, incluindo, mas não se limitando, a fratura da laringe, paralisia de um ou de ambas as cordas vocais devido a contusão de um ou de ambos os nervos recorrentes, cegueira súbita, hemorragia cerebral, fratura do osso hioide no pescoço, fratura / deslocamento das vértebras cervicais e / ou danos na medula espinal, desalojando de uma placa aterosclerótica nas artérias carótidas que viajam até ao cérebro com consequente acidente vascular cerebral, e óbitos ocorridos até três dias após a aplicação do estrangulamento devido ao inchaço e formação e dissolução de um coágulo ou de pós-choque dos tecidos.

Sabemos que “pessoas mais velhas” enfrentam maiores chances de um desfecho fatal ao se envolver em asfixiofilia que “as pessoas mais jovens”. Sabemos que pessoas “doentes”, especialmente pessoas com doenças cardíacas, enfrentam maiores chances de um desfecho fatal do que “mais saudáveis”. Sabemos que outros fatores aumentam as chances de um desfecho fatal: o uso de álcool, drogas, antidepressivos tricíclicos, níveis elevados de adrenalina no sangue.

Pelo sub que se submete ao tratamento de hipóxia (falta de oxigênio), o primeiro sintoma é frequentemente euforia. Muitos falam que gostam do momento em que estão perdendo os sentidos. Habilitar alguém a estrangular ou sufocar com certeza requer um extraordinário grau de submissão e confiança no Dominador. A recompensa são orgasmos muito mais intensos do que o normal. Isto se deve também ao aspecto psicológico pelo qual o sub, ao perder o controle da própria respiração, entra em um estado emocional de entrega total, medo pela própria vida, sensação de submissão sem nenhuma barreira ou restrição.

Pessoalmente nunca ultrapassei a fase leve, sempre com extremo cuidado e com parceiras sub que conhecia muito bem, jovens e em boa saúde.

A pratica do breath control play é banida na maioria das comunidades BDSM do mundo devido aos seríssimos perigos relacionados.

Para maiores esclarecimentos recomendo a leitura do Jay Wiseman’s “Closing Argument” On Breath Play (infelizmente somente em inglês)

Qual o limite de segurança aceitável desta pratica então?

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Brincadeira Quimica

BRINCADEIRA QUÍMICA NO BDSM

TRADUZIDO E ADAPTADO A PARTIR DE UM TEXTO DO PENGUIN PETE

Com o risco de decepcionar alguns leitores, devemos especificar que a “brincadeira química” não se refere a produtos químicos que são consumidos, fumados ou inalados. Em vez disso, se refere ao uso de substancias químicas para criar sensações na pele, para obter efeitos variados.

A brincadeira química pode parecer exótica, mas na verdade é um dos primeiros conceitos aos quais você é apresentado se comprar algo em qualquer loja de sex-shop. Qualquer sex-shop ocasional tanto na internet como em loja física oferece óleos perfumados para o corpo, lubrificação aromatizada e outras misturas destinadas a serem usadas na pele. Porém estas substancias não permitem uma atividade prazerosa para o BDSM e sobre tudo na relação entre parceiro dominante e submisso, pois falta criatividade e inventiva: tudo o que você precisa fazer é esfregar as pomadas ou cremes ou óleos na pele e observar o efeito.

Aqui, falaremos sobre o amplo mundo das substancias químicas e como brincar com elas com segurança.

A premissa obviamente é de que cada um seja maior de idade e saiba o que faz. De forma alguma estamos aconselhando fazer algo e, sobre tudo, desaconselhamos qualquer um fazer algo que não sabe ou de forma insegura.

Se quiser experimentar algo o estará fazendo por sua conta e risco!

SEGURANÇA PRIMEIRO!

Teste sempre uma substância química antes de usá-la em uma brincadeira BDSM. O ideal é aplicar um pouco no interior do próprio cotovelo para testar em si mesmo e depois no interior do cotovelo do parceiro.

Espere cerca de vinte minutos para experimentar e avaliar o efeito total. Em seguida, remova de acordo com as instruções – geralmente você lava uma substância à base de água com agua e limpa uma substância à base de óleo com outra gordura.

Cuidado: as pessoas são extremamente diferentes quando se trata de reações químicas. Uma pessoa mal consegue sentir o efeito, enquanto outra pessoa vai gritar e se agitar, ou até precisar de tratamento para aliviar os efeitos. A pele de uma pessoa pode não ter sensibilidade, enquanto outra pode explodir em bolhas ao contato com determinada substancia. Não há como prever isso antecipadamente, então teste com calma cada substância sempre, observe e avalie se é seguro usar.

Lembre-se de que não é muito fácil fazer funcionar uma Safe-Word em uma sessão ou cena que envolvam substancias químicas. A substancia química está impregnando a pele ou está até dentro da pessoa e continuará a agir, as vezes por muito tempo, por horas, até que tenha sido retirada ou lavada, ou absorvida pelo corpo, mesmo se o TOP interromper a ação imediatamente os efeitos não irão cessar. Uma substancia não pode atender o chamado de uma Safe-Word. Teste então primeiro muito bem qualquer substancia para que você não fique no chuveiro gritando e chorando por horas depois de uma experiência que pode se tornar traumática.

Siga as instruções de segurança na embalagem para qualquer substância comprada em loja. Em uma sessão BDSM, substâncias químicas são aplicadas aos seios, órgãos genitais externos, vagina e anus. Você quase nunca deve introduzir uma substância química estranha na vagina, em contato com a mucosa vaginal, pois isso irá perturbar o delicado equilíbrio do PH interno e da flora vaginal. No entanto, alguns produtos naturais podem ser usados com segurança. Você também nunca deve usar produtos ou substancias químicas em pele arranhada, já irritada ou com feridas abertas ou em cicatrização.

Cuidado com quaisquer interações medicamentosas. Se o parceiro estiver tomando medicação ou esteja submetido a tratamento para uma doença relacionada à pele.

A BRINCADEIRA QUÍMICA PODE NÃO SER PARA TODOS.

Algumas pessoas são muito sensíveis, têm alergias ou outros problemas físicos que complicam muito as coisas. Portanto, esteja preparado para deixar esse tipo de brincadeira fora da sessão se o seu parceiro simplesmente não puder lidar com isso. Pergunte a ele muito a respeito de eventuais problemas ou alergias antes de iniciar uma pratica deste tipo.

As formas de lavar várias substâncias químicas à base de óleo incluem: shampoo para bebês, leite, babosa ou azeite. Não use água para lavar uma substância à base de óleo, pois a água simplesmente espalhará a substancia gerando ainda mais desconforto.

MENTOL E LENIMENTOS

A forma mais comum de brincadeira química envolve a aplicação de um creme comprado em uma loja. Estes geralmente são vendidos como “cremes esportivos” para lesões atléticas ou mesmo cremes e óleos para brincadeiras sexuais e eróticas. Alguns destes cremes e unguentos destinam-se a aliviar dores musculares e dores de artrite, mas em grandes doses para áreas de pele sensíveis produzem uma sensação de forte queimação quente.

Os cremes esportivos e os eróticos podem conter qualquer substancia química como entre outras salicilado de metilo, resina benzoica, mentol ou capsaicina.

A maioria parte dos cremes esportivos tem um efeito tardio que se acumula gradualmente. Alguns começam uma sensação de frescor e depois passam a uma sensação de calor profundo. Esfregue o suficiente na pele, e sentirá como se estivesse em chamas. O efeito pretendido, na linguagem médica, é um “contra irritante”, com a ideia de que se você aplicar estes cremes em um lugar dolorido, a sensação de calor extra ultrapassa os nervos na área e dissipa a dor.

Os cremes esportivos ou eróticos são perfeitos para brincadeiras durante o bondage, uma vez que o submisso é restringido e a mercê do Dominante.

O Dominante adiciona creme ou outra substancia durante o tempo em que o submisso está no “tempo de espera” ou “esquecimento”, dando ao submisso algo a mais para sofrer enquanto espera sua libertação.

Depois de um spanking leve, os cremes esportivos ou eróticos ou outras substâncias químicas esfregadas nas nádegas tornam a sensação de ardor mais intensa, mas novamente, não faça isso depois de um spanking pesado com cane ou qualquer outro instrumento que causou um hematoma relevante ou uma abrasão da pele, a não ser que isto seja previamente combinado com consciência de ambas as partes dos riscos envolvidos.

CAPSAICINA E OUTRAS SUBSTANCIAS PICANTES

Assim como os cremes esportivos ou eróticos, alguns BDSMer usam canela, canfora e capsaicina como substâncias para brincadeira.

As mesmas regras gerais para o uso de cremes também se aplicam à canela, canfora e à capsaicina. Muitas lojas vendem óleo de canela, creme de capsaicina, óleo de hortelã e outras misturas. Em caso de dúvida, você deve tentar usar a substância feita para esse propósito já pronta para o uso e vendida em lojas, uma vez que pelo menos ela é feita com baixa concentração, uma potência controlável e vem com instruções de segurança.

A capsaicina (fonte Wiki) é um composto químico (8-metil-N-vanilil-trans-6-nonamida) e o componente ativo das pimentas conhecidas internacionalmente como pimentas chili, que são plantas que pertencem ao gênero Capsicum. É irritante para os mamíferos, incluindo os humanos, e produz uma sensação de queimadura em qualquer tecido que entre em contato. A capsaicina e diversos componentes correlatos são conhecidos como capsaicinoides e são produzidos como um metabólico secundário pelas pimentas chili, provavelmente como barreiras contra os herbívoros. A capsaicina pura é um composto hidrofóbico, incolor, inodoro, de cristalino a graxo.

Os mais aventureiros podem experimentar versões culinárias dessas substâncias.

Você só deve fazer isso se conhecer a diluição adequada antes de usá-las na pele.

Eu uso, mas somente recomendo usar para quem esteja consciente dos riscos envolvidos.

Muitos ficam surpresos ao descobrir que uma garrafa de óleo de pimenta (sobre tudo aqueles em conserva de salmoura e vinagre) ou extrato de hortelã pode mandar alguém parar no hospital – isso é porque o que se destina a ser usado na culinária não vai ter o mesmo resultado em partes de pele sensível ou mucosas.

E, por fim, temos as boas e velhas pimentas vermelhas. As pimentas naturais são classificadas na escala de Scoville, que mede a sensação de ardência dos mais leves com centenas de Scovilles até os sete mais ardidos. As pimentas mais leves são classificadas a partir de 0, os jalapenos variam de 3.500 a 10.000, os serranos (que inclui por exemplo a pimenta de cheiro) variam de 10.000 a 30.000, os habanero chilis entre 100.000 e 350.000, e a pimenta mais ardida do mundo até agora que é a Carolina Reaper, é avaliada em 2.2 milhões de Scovilles.

A capsaicina é o produto químico natural produzido pela maioria das pimentas que lhes dá a sensação de ardor.

Como com qualquer outra coisa neste artigo, teste-o primeiro na sua pele. Corte a pimenta no sentido longitudinal e aplique a superfície interna à pele. Tal como acontece com os cremes, o uso deve permanecer externo ao corpo e longe de qualquer membrana ou mucosa.

Sobre qualquer pimenta: é seguro introduzir no anus, uma vez que o ânus é uma parte do corpo construída para lidar com qualquer coisa que você possa comer sem problemas. Obvio que isto não significa que os efeitos não possam ser extremamente dolorosos. Apesar disto não deixarão consequências a longo prazo.

Lembre-se de que o ardor das pimentas é devido a óleos naturais, então siga as mesmas recomendações para óleos ao lavar resíduos de pimenta. Nunca use água para tentar remover ou diluir o efeito das pimentas, somente irá potencializar o efeito. Use alguma coisa oleosa ou gordurosa para diluir o efeito. Pode-se usar leite, manteiga, óleo de sementes o azeite. Contudo, se usou pimentas fortes, não espere que efeito passe tão rápido somente com a diluição, normalmente precisará de algumas horas para que a situação volte ao normal.

Alguns usam a pimenta em regiões onde há mucosas, ambos TOP e bottom precisam estar cientes do risco que está envolvido nesta pratica.

FIGGING

O Figging é a prática de usar um plug esculpido a partir de uma raiz de gengibre puro para inseri-lo no ânus ou na vagina. Ao contrário de outras formas de brincadeira química aqui descritas, o figging é muito mais suave e geralmente mais seguro, uma vez que as reações extremas ao gengibre são muito raras e ele não afeta as mucosas vaginais. De qualquer forma é bom perguntar a respeito de uma possível alergia especifica.

O gengibre pode ser encontrado em qualquer mercado ou sacolão, é bom comprar uma raiz bem grande, pois uma parte considerável vai ser perdida quando esculpido e também porque precisará criar uma base que terá a função de segurar o plug criado para que “não se perda” dentro do bottom (neste caso seria necessário remover por profissional de saúde). Para que o plug seja de fácil manipulação deixe uma base grande na parte inferior e tente deixar tudo o mais liso possível.

Para que o Figging dê certo terá que usar um gengibre bem fresco (ele é bem duro ao tato) os velhos (mole ao tato) não servem.

Há vários tipos de gengibre, o melhor é o que é usado para culinária japonesa e para fazer chá pois são os mais fortes. Alguns gengibres são tão suáveis que nem da para sentir o efeito.

Depois de inserir o plugue de gengibre, o bottom sentirá os efeitos após alguns minutos e a sensação aumentará até cerca de meia hora quando ele começar a nivelar. Depois disso, você pode até cortar um pouco do gengibre reduzindo o tamanho e expondo uma nova camada reativar o efeito e prolongar a diversão. O Figging é uma ótima maneira de animar qualquer disciplina de servidão ou tempo de canto ou esquecimento. Seu uso tradicional é no castigo corporal; insira-o bem fundo no submisso (lembre-se de ter uma boa base grande que empeça de entrar tudo) antes de dar-lhes uns golpes de palmatoria, de chicote ou de cane. Quando o submisso apertar naturalmente as nadegas pelos golpes isto irá fazer o gengibre liberar mais suco obtendo mais ardência interna que contrastará a ardência/dor externa. Um efeito interessante.

O Gengibre é um material maravilhosamente versátil, e ele ainda é vendido em forma de extrato. O “Gingerol” ou Extrato Glicólico de Gengibre, pode ser encontrado em garrafas e pode ser utilizado para “apimentar” objetos como vibradores e plugs de forma segura. Neste caso, é bom verificar a concentração da substancia e testar bem antes de usar em uma sessão ou cena.

OUTRAS SUBSTÂNCIAS URTICANTES E IRRITANTES

Aqui estamos nós adentrando em um território estranho, mas ocasionalmente você vai ouvir sobre alguns BDSMers que usam uma planta chamada “urtiga”. Urtiga é um género com 30 a 45 espécies de plantas com flor na família Urticaceae, com distribuição cosmopolita sobretudo nas regiões temperadas, vulgarmente chamadas urtigas ou ortigas. São geralmente plantas herbáceas perenes, mas algumas são anuais e algumas são arbustos. Nem todas as urtigas são urticantes, algumas espécies não possuem este efeito. As urtigas irritantes mais encontradas no Brasil são a urtiga europeia, a urtiga vermelha (que possui ramos avermelhados) e finalmente a urtiga roxa, a mais poderosa e que é encontrada facilmente na mata brasileira, na Serra da Cantareira de SP por exemplo. A planta, em contato com a pele, traz uma sensação de queimação disparando por meio de pelos minúsculos na superfície das folhas que injetaram histamina na pele. Isso gera uma sensação de muito desconforto, inchaço, bolhas avermelhadas. O efeito dura por bastante tempo, podendo se estender até por alguns dias. Então usar urtigas nas brincadeiras BDSM pode ser feito somente para quem realmente goste de algo mais forte e tenha plena consciência de que o efeito é duradouro causando muito sofrimento no bottom.

O efeito da urtiga pode ser aliviado usando remédios anti-histamínicos específicos ou outras substancias como por exemplo unguentos de hortelã forte.

Não recomendamos esta pratica, a não ser que realmente as partes estejam totalmente conscientes do efeito devastador da urtiga na pele humana. Há sim relatos de fustigações com urtiga e alguns BDSMers mais hard podem fazer isto, mas são práticas raramente vistas pessoalmente. Além disto é oportuno saber qual planta está se manuseando com certeza, e não colher qualquer coisa da natureza e usar, sem saber ao certo do que se trata. Imagine se por engano usar uma hera venenosa ou outras ervas que sejam realmente venenosas, o efeito pode ser catastrófico ou até mortal!

PASTA DE DENTES E OUTROS MENTOLADOS

A pasta de dentes, com certeza é muito fácil de encontrar em vários aromas. Temos tanto com menta e mentol, assim como com canela, por isto é lógico e normal que as pessoas tentem usar a pasta de dentes como um substituto dos cremes.

Mas não vamos recomendar o uso da pasta de dentes, porque os efeitos são normalmente muito fracos ou pode ser prejudicial à pele delicada com efeitos colaterais indesejados.

No lugar da pasta de dentes podem-se usar umas laminas de hortelã ou outros sabores que se encontram no mercado erótico para sexo oral (por exemplo as sexy paper) que tem um efeito bastante intenso se usadas na proximidade de mucosas ou de forma geral em lugares delicados. Aqui também, por ser produto comestível podem ser usadas no ânus sem menor problema (além obvio do eventual desconforto).

CONCLUSÃO

A brincadeira usando substancias químicas é uma forma de BDSM, onde a pesquisa e experimentação realmente valem a pena. Você deve saber o máximo possível sobre o que está fazendo, e talvez até encontrar um profissional médico, mesmo que seja um tanto difícil encontrar um no meio, para pode tirar duvidas ou mesmo ser atendido em caso algo dê errado. No entanto, uma vez que você chegue a dominar a brincadeira química e suas nuances, ela se torna uma ferramenta acessível, poderosa e versátil em suas mãos, não ocupa espaço e pode ser levada a qualquer lugar e vai apimentar bem suas sessões e cenas, literalmente!

Do lado do TOP: a sub chantagista e vigarista

Este texto foi estimulado por um comentário por parte de um TOP sobre uma bottom que ameaçou usar a Lei Maria da Penha, portanto achei útil compartilhar algumas ideias.

Pouco se fala dos problemas enfrentados por TOP iniciantes ou que tem compromisso baunilha e de qualquer forma, com pouca experiencia.

Claro que estes, cheios de vergonha, nunca irão expor os problemas deles em público, mas talvez enfrentar este assunto, tabu em muitos âmbitos, possa ser útil para alguns.

Neste caso é o TOP quem é atropelado fora da faixa.

Como já falei em outro texto, não é incomum um bottom ao termino de uma relação D/s acusar o TOP de abusos, somente para descarregar a própria frustração. Não é incomum o bottom agir também de forma manipuladora e chantagista, e, uma vez que o TOP não aceite este joguinho, o bottom criar falsidades para denegrir o TOP.

Até aqui, tudo bem, normal, acontece.

Mas há uma categoria de bottom que usam o BDSM para fins que são pouco bacanas, com premeditação e com o objetivo de tirar proveito de uma situação. São os bottom chantagistas/vigaristas.

Este tipo de pessoas, são normalmente masoquistas, que aguentam boas pancadas, hematomas extensos, as vezes até na cara, e que caçam TOP sem experiencia (que as vezes se dizem experientes), desavisados e ingênuos, com o fim de trazer proveito financeiro. Estabelecem uma D/s a jato, mas cuidam de ter muitos detalhes da vida do TOP “para a segurança deles”, fingem um namoro romântico e bonito na internet, e talvez por umas duas semanas de vida real, com encontros a luz de vela, poesias e promessas de amor. Procuram TOP que tenha uma boa vida financeira e estável, se for casado e a mulher nem desconfiar de nada, é melhor ainda para elas. O TOP ingênuo se abre… no Skype, no Facebook, e também em encontros pessoais, na negociação a jato, fala da sua vida pessoal, dos amigos e trabalho, da família.

Enfim começam as sessões românticas, regadas a frases bonitas e amor, com a sub pedindo spanking intenso, pois amor é amor, mas as pancadas são que a excita… e o TOP tentando fazer o seu melhor, para não decepcionar… bate com força…

Sempre falamos no meio que, se não há prova, não há crime. É muito fácil sair por aí falando e falando, mas sem provas…

E quando há provas?

Quando há um registro de motel que comprova quem esteve lá, fotos (sim, aquela frase… faça fotos com o meu celular que depois te mando) e uma ameaça de B.O. pela Lei Maria da Penha? Quando o bottom conseguiu detalhes sobre sua vida e pode enviar as fotos para o seu trabalho, para a escola de seus filhos, para sua esposa, junto a um B.O.?

Aí entra a chantagem do bottom vigarista… normalmente pedido de dinheiro, e muito, para não expor o TOP na vida baunilha dele, e o TOP normalmente paga, saindo desta situação com grande frustração e com a cauda entre as pernas, frequentemente depois abandonando o BDSM para sempre. Se for um mínimo esperto, pede prova de que pagou e que não há motivo para B.O. pois a relação era consensual.

Neste caso, o TOP foi mais um que cruza a rua fora da faixa de pedestre, sem olhar dos dois lados, sem prestar atenção se vem um carro ou caminhão e em caso de o cruzamento ter um farol, não olha para ele.

Quando falamos para conhecer bem as pessoas antes de se aventurar, normalmente falamos aos bottom, pois são em maioria mais frágeis, mas o mesmo cuidado vale para os TOP.

Alguns destes TOP acham que porque se declaram Dominantes e leram algumas coisas na internet o são, ledo engano. Ser Dominante não é se mostrar fodão e tentar dominar a sub de alma com textos bonitos… significa saber reconhecer os bottom, saber entender o que realmente são e quais são os anseios reais deles… constituindo uma relação de poder.

Isto não se alcança em pouco tempo, nem com pouca experiencia. É um percurso que precisa ser trilhado para entender como funciona o meio, pois assim como na vida baunilha, aqui também temos pessoas boas e ruins e, sendo maior de idade, cabe a você saber distinguir quem é quem.

Então se um dia for vítima de chantagem se pergunte: não será cruzei a rua sem olhar, sem prestar atenção e fui simplesmente atropelado pelo meu descuido?

Sr Jack Napier

Irmãs de coleira, outras sub, play partner, ciúmes e dominação por baixo

Este assunto, sempre um tanto polemico precisa de alguns esclarecimentos de base.
O primeiro deles é que para que se tenha uma irmã de coleira, será necessário que a relação D/s seja 24/7 e que a irmã de coleira entre a fazer parte da vida cotidiana na relação D/s também como 24/7.
Isto é muito mais raro do que se lê por aí, uma vez que pressupõe vivencia continuada entre as sub, que moram juntas na Senzala ou, de qualquer forma, interagem na vida uma da outra, também nos aspectos baunilha, e com o Dono delas, de forma diária.
Neste sentido, a “irmã de coleira” é realmente a pessoas com a qual compartilhar desejos, emoções, submissão ao Dono de forma plena e perfeita.
Não é uma relação para qualquer uma. Pressupõe um grau de entrega total ao Dono, que raramente é visto, onde as sub se ajudam com carinho e irmandade para melhor servi-lo.
Muito difícil para quem não tem vivencia real do mundo BDSM, entender este tipo de relacionamento mesmo na sua concepção mais geral…
A irmã de coleira será escolhida pelo Dono, por suas características de compatibilidade com a(s) outra(s) sub da sua Senzala. A Ele cabe saber escolher a pessoa que melhor poderá se integrar na Senzala sem causar algum tipo de perturbação da harmonia, que é a base de um reinado saudável e sustentável.
Na relação de irmãs de coleira, todas as sub têm mesmo papel e mesma importância, contribuindo como pares e iguais à relação BDSM, que é coletiva.
Estas relações são chamadas “familiares” pois se cria, praticamente, uma “família” não convencional.
Não vou entrar em muitos detalhes disto, pois, a grande maioria das relações D/s, nem de longe se assemelham ao ter uma irmã de coleira…
Muitos TOP não querem viabilizar este tipo de relação por questões afetivas de relacionamento com a sub 24/7, ou por outras várias razões, todas absolutamente respeitáveis, que envolvem tanto a relação BDSM como a relação baunilha (que frequentemente surge em uma relação 24/7).
Por estas razões, e também pela dificuldade de se encontrar pessoas realmente preparadas em ser irmãs de coleira, o que se vê mais frequentemente é o TOP ter uma sub alpha, primária, responsável pela Senzala, e outras bottom que são gerenciadas pela alpha.
Neste caso já não podemos falar de irmãs de coleira, pois faltam alguns requisitos fundamentais: a vivencia cotidiana, o compartilhamento igualitário na serventia ao Dono, a intimidade total entre as sub.
Normalmente a sub alpha é a mais antiga e, eventualmente, a que tem relação 24/7 com o Dono. As outras sempre estarão em segundo plano, a não ser que o DONO tenha duas alpha irmãs de coleira, ou que a alpha seja dispensada e o Dono escolha uma nova alpha. Este é o maior medo das sub alpha, que entre uma nova sub que possa ocupar o lugar delas. Esta insegurança, muitas vezes, é a que conduz a alpha a ser dispensada, por não saber administrar a confiança que o Dono depositou nela, por exemplo diminuindo outras sub, maltratando elas, ministrando punições indevidas ou excessivas.
Sempre há uma complicação afetiva na entrada de uma nova sub na Senzala para a sub alpha, a qual deverá saber lidar de forma oportuna com a situação, tendo sempre em mente o proposito essencial dela: servir ao Dono.
Não que isto seja sempre fácil, e ela poderá alertar ao Dono sobre algo que não lhe agrade, de qualquer forma ela tem a relação afetiva e mais antiga, mas quem toma as decisões é o Dono, que poderá ou não considerar o eventual desconforto dela, dependendo da situação e de sua sensibilidade.
Esta também, de qualquer forma, é uma situação relativamente rara, pois requer grande experiência por parte do TOP em administrar a sua Senzala e uma grande capacidade de entrega por parte da sub alpha.
Este tipo de relação D/s, também prevê uma 24/7, ao menos com a alpha, morando junto ou de qualquer forma na convivência diária da alpha, e eventualmente de mais sub, com o Dono.
Mas vamos ao que ERRONEAMENTE lemos todos os dias… irmãs de coleira que na verdade são play-partner ou procura de substituição de sub, ou ainda, simplesmente outros “casos” do TOP.
É exatamente nestes casos que lemos comentário de sub: “nunca aceitaria uma irmã de coleira”.
Nenhum TOP que tenha uma Senzala REAL iria propor irmã de coleira a uma destas sub. Primeiro porque Ele escolhe as sub com base na compatibilidade com as outras da Senzala e secundariamente porque estas sub, evidentemente, não tem as caraterísticas para poder ser irmãs de coleira, nem participar de uma Senzala que tenha uma sub alpha.
Portanto nenhuma delas, nunca, receberá este convite ou vivenciará esta situação, nem de longe, pois não pertence ao mundo delas.
Nenhum TOP com Senzala REAL poderá se interessar por elas, simples assim. Elas não despertam interesse pois não estão aptas nem para começar uma negociação.
Quando uma suposta sub fala que vai colocar este assunto na negociação da D/s, simplesmente demonstra que não sabe o que a relação vertical BDSM e qualquer TOP experiente, já abre mão da negociação seguindo cada um o próprio caminho.
Este tipo de comportamento “bottom-up Power Exchange” ou dominação por baixo, no qual a aspirante posse quer possuir o dono, marcar território e reduzir a liberdade dele, simplesmente não faz parte do BDSM e não é aceita por nenhum TOP.
Se o TOP quiser ou não ter outras sub, é decisão e problema dele, e a sub, nunca pode se quer torcer o nariz sobre isto, pois ela é posse e não manda em nada, isto em uma relação D/s BDSM. Se a relação for somente fetichista e não for BDSM, aí é outra história pois os parâmetros são outros e eu os desconheço.
Ouvimos frases do tipo: Este Dono tem dona… A sub quem manda lá em casa… ou… Ela está tentando roubar Meu Dono… Não aceito irmã de coleira… Ela não vai tomar meu lugar… Eu sou melhor do que ela e vou demonstrar… Ele é Meu… Tudo isso é absolutamente normal, é perfeitamente compreensível sentir ciúmes e defender o que lhe “PERTENCE”. Isto é uma relação BAUNILHA e NÃO é uma relação BDSM.
Na relação BDSM a posse pertence ao Dono de forma vertical. O Dono não pertence a posse.
Se não há esta verticalidade, simplesmente não há relação BDSM, ou há uma relação na qual a sub na realidade é Domme e o top se torna bottom dela, pois é ela quem manda na relação.
Já falei para algumas amigas, mudar de lado do chicote, pois estão do lado errado, querendo possuir um TOP… muito mais fácil e proveitoso se assumir como Domme e ter seu próprio sub.
Se quiser estar como sub em uma relação D/s, trazendo para ela conceitos baunilha, saiba que esta relação está fadada ao fracasso, ou simplesmente irá estabelecer uma relação fetichista com víeis de fantasias do BDSM, mas nunca, uma relação BDSM.
O BDSM é uma troca de poder, antes de qualquer outra coisa, e, o que é negociado, são os limites desta troca, não sua natureza.
Não se pode ser cristão sem acreditar em cristo, não se poder ser mesmo corintiano ser torcer para o Corintians, não se pode ser ateu acreditando em Deus…
Não se pode ser sub, sem ser posse.
Mas vamos lá… do outro lado… o suposto dom safadinho…
O dom safadinho, na realidade não estabelece nenhuma relação real D/s. É uma relação construída sobre promessas (nenhum TOP faz promessas, ele age) e poesias, com víeis românticos (nenhum TOP usa do romantismo) e sexo apimentado (nenhum TOP coloca o sexo em primeiro lugar, pois isto é consequência natural e não objetivo).
Este tipo de suposto top, deixará as coisas meio confusas, dando corda na negociação em debater questões de posse, desviando da negociação real e dos limites reais, ele afirmará que é seu, mas parcialmente. Enquanto na verdade o TOP nunca é, e nunca será seu… você é dele, ponto. Não há nenhuma negociação nisto.
Estes supostos top poderão eventualmente ter outras sub a escondida, ou tentar fazer com que uma não saiba da outra, usando desculpas pelas ausências, mas não saberão enfrentar uma relação BDSM, logo nem são realmente TOP.
Ou tentarão fazer a suposta sub aceitar outra sub, por exemplo como play-partner e talvez até fazer sessões conjuntas, arcando depois com ciúme e provável fim da relação, ou pelo menos, muito estresse desnecessário.
O que acontece normalmente é que antes ou depois este tipo de jogo acaba, porque a base está errada. Não se constrói sobre a areia, pois a construção antes o depois desaba.
O BDSM tem algumas poucas regras rígidas que são a base absoluta. O conceito de posse, verdade, honra e relação vertical são algumas delas.
Ninguém precisa ser BDSMer, ninguém manda ser isto… uma pessoa pode ser fetichista, ter uma relação baunilha, usar de alguns fetiches que são do mundo BDSM e ser feliz!
Porque viver uma coisa que não lhe agrada? Ou tentar se encaixar em algo que lhe deixa frustrada e não oferece prazer? O BDSM é busca pelo prazer. A não ser que você seja muito masoquista…
Não existe uma regra para a satisfação dos nossos desejos, cada um escolhe por si mesmo, mas ao mesmo tempo não existe um BDSM DIY (faça você mesmo), nosso âmbito tem bases, regras e protocolos, como qualquer outro âmbito.
Esclarecido este aspecto, podemos falar dos play-partner e da relação D/s de forma séria.
Cabe o TOP decidir se ele deseja ou não ter uma ou mais sub e administrar elas.
O que se fala no meio é que um TOP pode ter tantas posses, quantas ele consegue lidar e dar conta, sem prejudicar as outras.
As vezes a relação 24/7 com aspectos de amor e envolvimento também na vida baunilha, pode conduzir o TOP a não ter outras posses, mas a decisão é exclusiva dele.
Ou se Ele estiver em uma relação complexa (tipo 24/7, com filhos, muitos compromissos de trabalho, pouco tempo disponível, etc.) poderá dispensar ter outras sub, por vontade e decisão própria, pois não teria como administrar isto sem prejudicar uma ou mais delas.
O TOP pode também optar por ter play-partner para sessões avulsas, o que não comporta nenhuma D/s com elas, pois o que se estabelece é somente uma EPE (Erotic Power Exchange – Troca de Poder Erótica) limitada a sessão.
Na realidade esta é a forma mais simples e confortável, sobre tudo para quem dispõe de pouco tempo, de disfrutar das relações de poder, sem ter que constituir D/s ou ter negociações complexas, somente estabelecendo limites apropriados à sessão.
De qualquer forma a decisão de ter ou não mais sub, a forma em que Ele quer tê-las e como irá gerencia-las é do TOP, e somente dele.
O seu direito como sub, é eventualmente entregar a coleira, coisa que pode fazer a qualquer hora e sem ter sequer que explicar o motivo. Este é seu direito fundamental. O TOP nem tem o direito de questionar as razões da devolução da coleira, e deverá simplesmente respeitar sua decisão, sem ulteriores interferências na sua vida.
Se você não aceita ser posse, se não aceita a troca de poder vertical, não seja uma sub… viva outras relações que não são BDSM, seja feliz fora da troca de poder, ou seja você mesma uma play-partner, ninguém vai possuir você e você não vai possuir ninguém…
Sr. Jack Napier

Do lado do TOP Sádico: a armadilha do bottom psicótico masoquista

Segundo o Sistema Único de Saúde sádicos e masoquistas tem um transtorno psicológico

F60-F69 Transtornos da personalidade e do comportamento do adulto

F65.5 Sadomasoquismo

Preferência por uma atividade sexual que implica dor, humilhação ou subserviência. Se o sujeito prefere ser o objeto de um tal estímulo fala-se de masoquismo; se prefere ser o executante, trata-se de sadismo. Comumente o indivíduo obtém a excitação sexual por comportamento tanto sádicos quanto masoquistas.

Obviamente quem é do meio repudia esta definição, sabendo muito bem qual é o limiar e a distinção entre parafília e perversão psicótica.

Em alguns casos, porém, temos no meio pessoas que ultrapassam o limiar da parafília e que são perversos psicóticos com consequências frequentemente desastrosas para as outras pessoas.

A conduta masoquista baunilha é representada pelo modo de o indivíduo relacionar-se com o mundo. Essa maneira de reagir é inteiramente inconsciente, em oposição à atitude consciente da busca sexual de prazer masoquista. A pessoa “só está bem quando está sofrendo”. Procura constantemente as situações mais desconfortáveis, desagradáveis, que conduzam diretamente à dor. São pessoas que tem pouco o nenhum apego à vida, não tem medo do perigo e, muitas vezes, carregam tentativas de suicídio em seu histórico.

Alguns destes masoquistas entram de forma natural no nosso meio, não são consequência dos 50 tons de cinza ou da internet, todo TOP experiente já vivenciou antes ou depois alguma experiencia com masocas patológicos. Este último é perseguido pela fantasia de uma punição rigorosa, cada vez mais intensa do que a vivida na cena anterior. Estes masocas, dificilmente têm um TOP fixo, pois não encontram com facilidade outra pessoa que consiga satisfazer o apetite extremo que eles têm pelo medo e pela dor. O interesse deste tipo de bottom pelo TOP se perde com facilidade uma vez que ele conhece mais o TOP e pode prever algumas situações, perdendo o tesão pelo medo autentico e por punições além dos limites. A familiaridade da situação altera a percepção de medo e da submissão, causando então desinteresse. É frequente que estes masocas, sumam da vida de um TOP de um dia para o outro, sem nenhuma explicação…

Este argumento é praticamente tabu no meio… ninguém fala dos perrengues que estes masocas podem causar em TOPs menos experientes.

Irei aqui apenas me aprofundar sobre as masocas mulheres, pois não conheço suficientemente o universo dos masocas homens.

Sem dúvida estas masocas têm um ego enorme e literalmente caçam quem pode lhe proporcionar satisfação no conceito de pulsão de morte. Vivem um constante sentimento de culpa ligado a atividade sexual e são extremamente expertas. Algumas se fingem de brat e atuam com o lema “me dobra ou me quebra”, mas na realidade querem apenas ser quebradas.

TOPs experientes, normalmente, dispensam este tipo bottoms antes mesmo de iniciar as sessões ou depois de uma ou duas sessões, uma vez que percebam o perigo relacionado.

Mas qual é este perigo?

O TOP Sadico sente prazer em infligir dor e punição, dentro de algumas regras e limites estabelecidos pela parafília que segue. Nunca irá machucar seriamente alguém, nunca irá perder o controle e ultrapassar os limites da parafília para entrar na perversão sádica dos torturadores dos campos de extermínio nazistas, e matar ou aleijar o bottom, por exemplo.

O bottom psicótico masoca, tenta fazer com que o TOP Sádico, ultrapasse estes limites, frequentemente provocando o TOP com o fim deste perder o controle.

Quando punido com chicote ou cane, irá falar para o TOP que bate igual mulherzinha, que é fraco, que nem sabe como dar uma surra, que é topzinho de internet… e assim por diante, tentando causar raiva no TOP e consequente perda de controle…

Ali mora o perigo, pois o TOP Sádico ao perder o controle e se exceder pode causar estragos físicos impressionantes, que é o objetivo do bottom psicótico masoquista, o qual irá pedir mais, até o limite de fraturas ósseas e traumas internos. Obviamente isto pode ter consequências desastrosas por ambos os envolvidos, com consequente hospitalização, BO e aplicação da Lei Maria da Penha. Se a cena for muito mal e acabar em óbito, as consequências são ainda mais desastrosas.

Por esta razão, muitos TOPs “fogem” deste tipo de masocas, ou identificando a atitude, não vão perder o controle e, portanto, saem da cena humilhando e frustrando o bottom psicótico, sem nenhuma consequência além de que este irá desaparecer, a procura de outro TOP.

Mas TOPs com menos experiencia, novatos e sádicos, podem cair na armadilha do bottom psicótico masoca e depois se arrepender muito do que aconteceu… fica aqui o aviso para prestar atenção…

Sr. Jack Napier

O bottom atropelado fora da faixa.

Será que os bottom estão isentos de responsabilidade quando caem em armadilhas da manipulação e do abuso?

Será que sempre eles são os coitados, indefesos e vítimas?

Muitas vezes sim, mas algumas vezes não.

Não é incomum um bottom ao termino de uma relação D/s acusar o TOP de abusos, somente para descarregar a própria frustração. Não é incomum o bottom agir também de forma manipuladora e chantagista, e uma vez que o TOP não aceite este joguinho, o bottom criar falsidades para denegrir o TOP.

Sempre falamos no meio que, se não há prova, não há crime. É muito fácil sair por aí falando e falando, mas sem pôr coisas concretas na mesa, para que sejam avaliadas de forma séria e isenta.

Deixando agora, esclarecida esta parte, os bottom abusivos de lado, vamos ver o que induz uma pessoa a se submeter à manipulação, e quais são suas responsabilidades.

Você precisa cruzar uma rua, o que você faz?

a) Cruza a rua fora da faixa de pedestre, sem olhar dos dois lados, sem prestar atenção se vem um carro ou caminhão e em caso de o cruzamento ter um farol, não olha para ele,

ou;

b) Cruza a rua na faixa de pedestre, olha dos dois lados, presta atenção se está vindo um carro o caminhão, em caso de cruzamento com farol, espera o verde e mesmo assim sempre presta atenção.

Quais as chances de ser atropelado nos dois casos?

Caso seu comportamento seja o a) suas chances de terminar sua vida ou passar um bom tempo no hospital, são bem elevadas, se o seu comportamento é o b), você tem muita pouca chance de ter consequências, pelo menos graves.

Agora se você entra em um relacionamento qualquer, seja ele baunilha ou BDSM, terá o mesmo cuidado de quando simplesmente travessa a rua?

Se não, o que espanta, é o fato de você estar vivo até hoje, que nunca tenha sido atropelado cruzando uma rua.

Porque parece que muitos submissos são débeis mentais que se jogam nas relações D/s sem ao menos avaliar quem é o parceiro, quais condições irão aceitar, de forma suicida.

Você casaria com alguém que apenas conhece superficialmente e dividiria com esta pessoa a sua vida mais intima depois de alguns papinhos de Facebook? Iria para um motel e se entregaria para alguém que lhe passou a mão na bunda no metrô? Sim? Parabéns, pois pelo menos é coerente com o que faz no BDSM…

Se sua resposta é não. Então precisa mostrar coerência e evitar comportamentos infantis e adolescências, uma vez que BDSM, é para adultos e não para crianças, sobretudo as mimadas.

Vejo infelizmente muitos bottom aplaudir comportamentos claramente manipuladores de dominadores de alma e Psyko-dom, carinhas que nem sabem segurar um flogger na mão, que ninguém conhece e que demonstram total falta de conhecimento do BDSM, e falar que se entregarão por completo a um deles. Quais as condições disto: ou estão brincando (e aí tudo bem), ou são bottom manipuladores, o domzinho que se cuide, ou estão prestes a entrar em um jogo abusivo, sabendo perfeitamente o que estão fazendo, alimentando a própria raiz de autodestruição e são doentes, ou ainda, são tão desavisados e com pouca capacidade crítica e de julgamento que deveriam ser interditados por incapacidade pela família.

Mas talvez esteja sendo muito duro com bottom inexperientes…

Se o bottom for de menor, claro que será fácil manipula-lo, mas isto é crime de abuso de menor.

Se tiver entre 18 e 21 anos, ainda vou dar um desconto. A final antigamente, na minha época, você era declarado completamente maior de idade aos 21 anos, pois entre 18 e 21 fazia uma transição entre a adolescência e a jovem vida adulta.

Mas, e as pessoas adultas? Podemos dar desconto a elas?

Em alguns poucos casos sim. Quando o manipulador está muito bem disfarçado, nunca falará em ser mestre de dominação psicológica ou de alma, se comportará normalmente e infiltrará aos poucos conceitos perversos de manipulação, sendo um psicopata perigoso e difícil de ser detectado mesmo por profissionais. Quantos são estes psicopatas? Muito poucos, por sorte. O que define que os casos também são relativamente raros e normalmente trazem consequências gravíssimas pela vítima, a qual geralmente não fala disto nem com as pessoas mais próximas, muito menos em uma rede social. Estas vítimas de abuso são totalmente fechadas, nunca falariam disto com ninguém, até quebrar, momento em que pedirão apoio aos amigos mais próximos do mundo real e a família.

Mas, e os bottom que declaram ser vítima de abuso psicológico, que falam disto aos quatro ventos, no inbox de pessoas que mal conhecem ou até em grupos de WhatsApp. Qual é o credito delas?

Muitas vezes estas pessoas participam de grupos sobre BDSM no Facebook, onde temos avisos quase que diários sobre os riscos de abuso, conversam com pessoas que aconselham elas, trocam opiniões com outros bottom… possível que mesmo assim caiam em armadilhas baratas?

Não será que são pessoas que cruzaram a rua sem olhar, sem prestar atenção e foram simplesmente atropeladas pelo descuido delas mesmas?

Se têm capacidade de falar disto com um quase desconhecido, é evidente que também dispõem de instrumentos suficientes para sair da relação abusiva, mesmo com algumas consequências desagradáveis que eles contribuíram a criar.

Toda dominação é psicológica! (separando o joio do trigo)

Sim, não há dominação que não seja psicológica. A dominação puramente física se chama violência e representa um abuso punido pela Lei.

Para que exista uma relação de Dominante/submisso é necessário que as duas partes estejam envolvidas psicologicamente, sendo que uma aceita o papel de impor o poder que a outra parte cedeu espontaneamente, logo sempre há uma dominação psicológica em uma relação BDSM.

Todo treinamento de um submisso tem uma parte relevante que é o treinamento mental e psicológico. Todo Dominante sabe que esta parte, fundamental, é necessária pelo desenvolvimento da relação e para que ambos possam alcançar o prazer que é dado pela relação vertical do BDSM.

Nesta parte do treinamento o TOP presta uma atenção especial em manter o bottom em uma área de segurança psicológica, tendo o cuidado extremo para não deixar que o bottom fique inseguro, por meio de comandos contraditórios, e que este mantenha a própria autoestima elevada, por meio de reforços.

Se o TOP percebe que o bottom está na relação devido a problemas psicológicos de baixa autoestima e insegurança geral, ou seja, não é apto a se tornar posse, pelo menos no momento, poderá interromper o treinamento e aconselhar o bottom a procurar ajuda psicológica antes de prosseguir.

Aspectos psicológicos na relação BDSM surgem desde o início da relação vertical na qual o TOP está em cima e o bottom está em baixo. O próprio fato de adotar posições (como, por exemplo, o bottom ficar ajoelhado esperando ordens) cria um condicionamento operante no qual é reforçada a Dominação.

Obviamente ninguém é imune de problemas menores ligados ao próprio desenvolvimento e a vida baunilha. É frequente um bottom poder ter problemas em lidar com a autoridade e às vezes cair em uma espécie de regressão infantil, como a que foi vivenciada, por exemplo, na relação familiar com os pais. Em muitos casos a relação D/s se torna um fator positivo que ajuda a superação de alguns destes problemas, por meio da aceitação da submissão e do condicionamento operante.

O Prazer, como descrito pelo psicólogo Alexander Lowen é algo diferente da diversão. É aquela experiencia na qual o ego deixa a hegemonia ao corpo, ou seja, o fluxo das sensações físicas prevalece sobre a vontade e a determinação, em uma modalidade em que “deixamos fluir” permitindo de forma plena a experiencia que estamos vivendo. Este “viver de forma plena” permite entender como as inibições fragmentando a plenitude perceptiva, diminuam o prazer.

A partir da experiencia de prazer, ativamos a nossa criatividade alcançando uma alta excitação, que permite parcelas de felicidade e a satisfação de viver.

Por isto sempre falamos que o BDSM é uma busca séria e racional de prazer e não uma busca por um amor.

Este Prazer é obviamente de natureza puramente psicológica e surge das nossa experiencias deixadas livres de fluir. A submissão permite ao bottom se livrar das inibições, e poder fruir totalmente das sensações para assim alcançar prazer. O TOP vive o mesmo processo do outro lado do chicote, o SW vive isto dos dois lados.

Para que isto seja possível é necessário que o bottom esteja Dominado, ou seja, que se renda e se entregue psicologicamente ao TOP e ao adestramento, conscientemente e de livre e espontânea vontade.

Temos muitas técnicas para que isto aconteça e todo Dominante sabe perfeitamente como desencadear as reações certas no bottom, a partir do psicológico deste último, sempre respeitando ele, para alcançar um prazer mutuo.

É este um processo “magico” pois os mapas de consciência e representação da realidade são realinhados de forma a criar uma nova representação da própria realidade. “Tem uma irredutível diferencia entre o mundo como ele é e a experiencia que vivemos dele. Cada um de nós cria uma representação do mundo em que vive, criamos um mapa ou modelo.” (R. Bandler).

A modificação do mapa ocorre pelos mesmos processos que, ao mesmo tempo, podem permitir a realização de atividades extraordinárias ou bloquear o nosso crescimento, se fizermos o erro de confundir o modelo com a realidade.

Os três processos envolvidos são a generalização, cancelamento e deformação. Por meio destes processos chegamos ao que se chama de moldagem da peça.

O Dominante introduz nos modelos presentes no bottom mudanças que permitem um maior leque de opções de comportamento. Por meio destes meta-modelos o bottom pode ampliar e enriquecer as próprias experiencias e os modelos existentes, criando novos mapas de representação da realidade que possam conduzir ao Prazer por meio da submissão.

Este processo é “magico” pois a magia da mudança se esconde na linguagem que usamos como TOP e na escuta do bottom.

Estes conceitos são representados de forma detalhada no livro “A estrutura da magia” de Richard Bandler.

A cena, a fantasia expressada por meio dela e das práticas, unidas a troca de poder, ao comando e representação da realidade, criam uma dimensão de realidade na qual o prazer é mutuo e satisfatório, fugindo dos arquétipos do prazer baunilha permeado de hipocrisias, inibições e mapas da realidade totalmente insatisfatórios.

Este processo de Dominação, que como dito, é sempre uma Dominação psicológica ocorre por meio da comunicação entre o TOP e o bottom, de forma que o TOP pratique reforços comportamentais constantes que são livremente aceitos pelo bottom.

Mas então a Dominação psicológica não é coisa ruim.

Não é, quando inserida em um contexto amplo de dominação no qual se exploram as sensações, emoções, prazeres de forma consensual.

Há, todavia, sempre um risco, mesmo com TOP experientes, sérios, honestos e comprometidos que algo possa de alguma forma dar errado. Mas o TOP saberá reconhecer estes sinais e ajustar o treinamento.

O limiar entre a dominação psicológica como parte do processo da relação D/s e a manipulação é, todavia, muito sutil.

Em Pragmática da Comunicação Humana (Estudo dos modelos de interação, das patologias e dos paradoxos) de Paul Watzlawick, J. H. Beavin, D. D. Jackson, é amplamente explicado como a comunicação é um relacionamento qualitativamente diferente dos indivíduos que a praticam.

As comunicações humanas têm características fundamentais que sempre incluem algum exercício de poder, mesmo no dia a dia e na relação com qualquer pessoa. Estas relações podem ser mais ou menos saudáveis dependendo do contexto e dos indivíduos envolvidos.

O simples relacionamento de comunicação entre chefe e funcionário, entre pai e filho, professor e aluno, entre colegas de trabalho, inquilino e porteiro, patroa e empregada doméstica, estabelecem naturalmente hierarquias e dimensões de poder que podem ser saudáveis ou toxicas.

Estas dimensões podem se tornar nocivas, toxicas, perigosas quando as manifestações por meio das quais se expressam se tornam deformações patológicas de comunicação. Quando as patologias da comunicação afetam o indivíduo e o conduzem a estados de profundo desconforto emocional.

Como escrevi no meu texto “Aftercare ou lavagem cerebral? Os víeis do abuso e da manipulação psicológica” é possível que pessoas doentes, psicopatas sem escrúpulos, declarem usar da dominação psicológica para, na realidade, praticar manipulação patológica.

Achei que era preciso esclarecer estes pontos para separar o joio do trigo, porque imagino que muitos TOP sérios, experiente e honestos possam ter se sentidos ofendidos pelas críticas ao uso do termo dominação psicológica, não no meu texto, mas de forma mais geral.

O que ocorre é que estamos vivendo a insurgência dos Psyco-Dom, pessoas que não tem nenhum conhecimento das práticas e tampouco da relação D/s e do BDSM em geral, que querem se exibir como mestres da dominação psicológica, utilizando de técnicas baratas de PNL e chantagem emocional, com o evidente intuito de atrair pessoas desavisadas para manipula-las de forma patológica mais ou menos grave. Do abuso somente de cunho sexual (ter uma transa sem compromisso e poder largar a peça culpando ela), até reduzir o bottom a um estado de depressão grave (estes são mesmo psicopatas) desfrutando de uma satisfação doentia em impor sofrimento aos outros para afirmar seu próprio poder de conduzir uma pessoa a destruição.

É preciso que todos, no nosso meio, prestemos atenção aos sinais que são lançados por estes psicopatas, para reduzir, cada vez mais a capacidade deles de destruir pessoas.

Por isto sempre recomendo aos bottom de estudar, frequentar pessoas reais do meio e se informar.

Por isto todos sempre falamos que não se entra em uma relação D/s sem preparo, pois os riscos são grandes e uma relação D/s é coisa séria. O BDSM é um jogo para adultos.

Por fim, estes tipos de psicopatas, atuam também no mundo baunilha, mas no nosso mundo, se escondem atrás dos fetiches para poder agir com mais desenvoltura, declarando até o que irão fazer e tendo o aplauso de muitos bottom, que não sabem o que fazem, que não estudam e que estão no meio por puro modismo, um modismo perigoso.